A profissão mais antiga que a humanidade conhece, está conosco desde que o mundo é mundo. Acompanha o nosso primarismo e a nossa lenta gradação moral há séculos e séculos. Mais do que mercantilizar o corpo por parcas quantias pecuniárias, a prostituição pode ter sentido mais amplo do que esta que os homens de todos os tempos lhe atribuiu.
Na sua mais compreensiva e inocente definição, é mera troca de sexo por moedas, mas essa forma é a que reflete os quadros de desigualdades, que durante séculos e séculos permanece quase imutável, pois o egoísmo e cupidez humanas não lhe permitem mudanças. Jovens continuam a ingressar nesse mercado, seja por falta de oportunidades, seja por imposição e manipulação na busca fremente de sua sobrevivência e na de sua família, em um mundo de alto índice de violência, que não é necessariamente a morte, mas a violência da subsistência do ser no seu cotidiano.
Não nos demos conta, que a prostituição está na nossa cultura, aprendemos desde cedo a barganhar. Quando a mãe lhe diz: Coma a comida senão, não te darei o doce que queres tanto! Meu filho, estuda e passa de ano, que te darei a bicicleta que me pediste! Passando para a universidade te darei aquele carro que prometi! Não há nada de errado em dar um doce a uma criança, uma bicicleta a um adolescente ou um carro a um jovem quase adulto, desde que isso seja feito através de uma vontade pura do coração e não seja exigido algo em troca, fazendo valer o poder da barganha, o condicionamento.
Essa mensagem subliminar, que registrará no psique do indivíduo a sua capacidade de desenvolvimento pessoal condicionada a premiação, também refletirá nas estruturas organizacionais e institucionais. O ser humano perderá a sua espontaneidade de fazer, e a trocará pelo sentimento mercantil do "toma lá dá cá". Nesse momento o ser deixa de entender o conceito de valor e confundi-lo com preço. Tudo o que realizará a partir de então será medido, premeditado e cobrado adiante.
Uma mulher casta, que ao casar-se, chantageia o marido com favores sexuais impensáveis em troca de joias, luxos, confortos e tudo o mais que a sua imaginação gananciosa conseguir alcançar, não estaria se comportando como uma cortesã? Mas a sociedade é hipócrita, isso não pode ser considerado prostituição, mas porquê? Não está trocando vantagens por prazer?
E o pior lado da prostituição é o que vemos hoje estarrecidos na política, partidos tanto da oposição, como os da base de apoio, esperando uma oportunidade de barganha, querendo trocar apoio por vantagens, querendo trocar oposição por poder. É um ministério em troca de apoio, é uma secretaria em troca de organização de uma manifestação pró. É um indulto do governo em troca de uma delação e o governo que não fica atrás, tenta comprar o povo, na tentativa de que não faça barulho através de programas sociais.
E você que vendeu seu voto por assistencialismo, por tijolos, saco de cimento, para ter o direito de pular a fila no atendimento ou cirurgia em qualquer hospital público, não fica de fora. Enquanto não mostrarmos o nosso devido "Valor" e ficarmos mostrando o nosso "Preço" não mudaremos nada, e continuaremos sendo tratados como prostitutas rameiras. Porque as do chamado "Book Rosa", estão perambulando pelos corredores do congresso e do senado.
Se você percebeu agora amigo, a prostituição as vezes confunde-se com corrupção, porque andam juntas!
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