segunda-feira, 18 de maio de 2015

Progresso ou Retrocesso, eis a questão!

O homem evoluiu e as leis que proclama e pratica são o reflexo de sua evolução, claro que ainda muito aquém do desejável. No tocante a esse aspecto evolutivo, vale ressaltar que o mundo evolui constantemente à sua volta, possibilitando o seu desenvolvimento. No decorrer dos evos a natureza deixou de lhe impor dificuldades fazendo com que brigue cada dia menos pela sua sobrevivência e desenvolva mais e mais as suas faculdades. E homem dando pouca demonstração evolutiva despendeu lamentavelmente para o lado ignominioso da guerra e da escravidão. 

Durante séculos o homem se arrastou como lesma sobre superfície ensaboada, preso a preceitos religiosos equivocados e a preconceitos, principalmente raciais e nalgumas vezes sociais, pela pouca compreensão e respeito que tinha pelas diferenças humanas. E foi necessário que século iluminativo chegasse para o despertamento das consciências, e que mais adiante idéias luminosas lhe despertasse do torpor do escravismo e todas as suas distonias.

Os recém libertos agora, não podiam de uma para outra hora equiparar-se aos homens de bens e posses do mundo, tão pouco poderiam contar com a filantropia ou bonomia dos mesmos homens que foram obrigados a lhes conceder liberdade, sua sobrevivência a todo custo dependeria do próprio esforço, o que lhes restava era empregar suas forças naquilo que de antes obrigatório tornara-se facultativo, o trabalho. Mas esta nova relação ainda encontrava-se muito longe da justa,  já que os escravistas de ontem criaram novas formas de cárcere, oferecendo insuficiente remuneração em contrapartida ao esforço necessário no desempenho da atividade laborativa, gerando dependência por parte dos trabalhadores, atando-lhes os pés a novos grilhões, seus agora patrões, oferecem-nos moradia e alimentação ainda abaixo de sua condignidade a valores acima de sua possibilidade. Endividado ao seu empregador enxergam-se sob uma escravidão sem castigos físicos, mas agora reféns por iniciativa própria da sua impossibilidade.

E esse comportamento ignóbil arrasta-se por prolongado tempo, até que as eclosões sociais influenciadas pelas idéias libertárias de rousseau e voltaire, que acerca de um século antes, influenciariam as revoluções, as independências de algumas nações, os movimentos abolicionistas, anarquistas, socialistas e comunistas, e que no seu ápice culminariam mais a frente nas grandes guerras. A revolta do proletariado ocorrida na Rússia preocupa as demais nações,  portanto resolvem os chefes de Estado dar ouvido aos líderes das ideias sindicais, que desde o início do século XIX vinham se avolumando e se aproximando cada vez mais das inspirações comunistas. Os estadistas que não podiam controlar seu povo pela força,  optaram pela criação das primeiras leis protetivas aos direitos dos trabalhadores, resguardando a estes direitos antes inimagináveis, inclusive coibindo a exploração de mulheres e crianças de jornadas desumanas, com isso abafando as revoltas e afastando o fantasma do comunismo.

E depois de quase quatro milênios de histórica escravidão, o homem enfim alcança a almejada liberdade pretendida pelos iluministas de outrora. Agora no entanto vemos nova crise mundial, onde poucas nações ainda insistem com um equivocado e falido regime comunista, apoiado pelas entidades de classe, que usam indevidamente o preceito da defesa dos direitos dos trabalhadores, conquistada à custo de muitas lutas e muito sangue, como moeda de troca política, com intuito nefasto de manter-se a todo custo no poder, praticando os mesmos princípios despóticos e arbitrários dos czaristas derrubados pela revolução proletária. O trabalhador que passa fome, vê nas ameaças desses governos amorais e nas bravatas de centrais sindicais a única forma de que essas conquistas protetoras e hoje muitas vezes paternalistas permaneçam intocadas.

Esses regimes socialista e comunista que apresentaram-se como grande oposição ao voraz capitalismo, se já dividiram o mundo em blocos, e portanto depois mostraram-se ineficazes no combate a um sistema "selvagem e explorador", denotando fraqueza na prática de seus princípios, causando imensas distonias entre sua linda ideologia estatutária e as pérfidas práticas de seus chefes de estado, remetendo-nos "aos dois mundos coexistentes de Platão", hoje encontram-se restritos a poucas faixas territoriais do orbe, e se o capitalismo teve que se reinventar para não sucumbir diante de tamanho clamor social, ainda encontra-se longe de ser ideal, porém coerente com seus princípios. Portanto as massas hoje encontram-se diante de espinhosa bifurcação, progresso ou retrocesso? Mas pergunta que não quer calar, quais desses sistemas encontram-se dentro do contexto de progresso?

Na pátria das chuteiras, onde tradicionalmente o progresso é retardatário, já que foi uma das últimas nações a aderir a revolução industrial e proclamar sua independência, e não fosse a intervenção dos seus chefes de estado muito tardia seriam também a consolidação das leis trabalhistas e a abolição, já que foi a última entre as nações independentes a proclama-la. E essa tradição que não possui só aspecto educacional, mas também cultural, recheada de estrangeirismos, pois fora acolhedora dos muitos exilados e perseguidos, durante as grandes guerras que encontraram aqui esteio, inclusive para as suas ideologias rechaçadas em outras paragens.


Esse acolhimento não trouxe somente benefícios, já que as deficiências educacional e instrutiva, aliada as faltas de identidade e nacionalismo, fizeram que se tornasse presa fácil para a aculturação. Anarquistas, fascistas, nazistas, socialistas, comunistas e inclusive representantes da burguesia predatória aportam as terras tupiniquins em busca de segunda oportunidade, trazendo consciências política e filosófica milenares. O resultado é visível, uma população sem seu DNA característico, pouco patriótica e sem identificação com suas cores e sua bandeira, movida apenas pelas frivolidades cada vez mais latentes, fincando seu tripé cultural, no samba, na praia e no futebol, única ocasião esta em que o cidadão equivocado, exacerba seu patriotismo, passando ao resto do mundo a imagem de uma nação acolhedora, frívola e sensualista. E a consciência política, fica por conta de quem dela se apodera.

E hoje reponta a discussão sobre a desatualizada e retrógrada CLT, criada há quase um século por Vargas a fim de conter o avanço dos ideais comunistas, contrapondo a modernidade do liberalismo contratual e produtivo americano atuais. Nova aculturação? A velha mania de copiar modelos de outras culturas? A livre concorrência, autonomias, terceirizações versus as garantias e direitos dos trabalhadores. De tudo o que foi exposto e vivenciado, se por um lado olhamos o processo predatório dos quais as classes trabalhadoras foram vítimas de poderes econômicos inescrupulosos, e entendemos a sua aversão a mudança, por outro olhamos as classes empregadoras também oprimidas hoje por um sistema tributário voraz e selvagem, que joga todo o peso sobre os ombros de quem gera emprego. Encargos cada vez mais altos, e desamparo completo pelas leis trabalhistas unilaterais e paternalistas que dão direitos amplos aos trabalhadores e os isentam das suas obrigações nas relações de trabalho, que deveriam ser bilaterais, e que no entanto os tribunais que julgam as dissensões dessa relação, quase sempre pendem a balança para o lado dos trabalhadores, alguns viciosos e indolentes. Fato gerador da informalidade do mercado, e de novos processos exploratórios chamados de terceirização da mão de obra.

E essa discussão, com todo esse contexto histórico, social, cultural e político não deve ser reduzida a simples discursos nas tribunas, palanques ou mesmo por trás dos microfones, e ser resolvida por congressistas de forma irrefletida e apressada, ainda mais que estes, depois de tantos escândalos de corrupção e desvios de dinheiro público, são vistos como meros representantes dos interesses que se dividem em três bancadas principais da questão em pauta, a dos empregadores, a dos trabalhadores e a dos leiloeiros, que nada mais são do que vendilhões dos templos da atualidade, que agora mercantilizam votos, que em meio a guerra de argumentações infundadas questionam: Quem nos dá mais?

Diante dessa questão "shakesperiana" progresso versus retrocesso, sem dúvida as leis trabalhistas precisam sofrer atualização, no entanto há muito a ser mudado, e para que tal alteração desse cunho não se configure de fato retrocesso, necessário se faz começar pelas reformas política, tributária e judiciária, mas pra que essas aconteçam urge uma reforma educacional, que possibilitará uma mudança cultural. Jamais haverá justiça onde não existe educação, principalmente a moral. Somente assim formaremos homens inimputáveis e incorruptíveis capazes de promover o bem social de forma desinteressada. Aproveitemos essa luz derramada sobre nós há três séculos, e façamos o justo uso dessa liberdade, principalmente a de pensar. Educação para todos essa deve ser a nossa bandeira!

terça-feira, 12 de maio de 2015

Evolução e atualidade.

Independente da crença individual de cada ser, no que diz respeito a origem humana, pois creiam uns que viemos dos símios, creiam outros que somos descendentes do unigênito Adão, ou creiam outros tantos que o princípio vital se estabeleceu nas águas mornas de um planeta ainda incandescente, na forma de microrganismos unicelulares, o ponto convergente e portanto notório nessa multiplicidade de sistemas, é que de lá pra cá o homem evoluiu. Seja na diminuição dos membros superiores e o consequente aumento dos inferiores, na correção da postura (homo erectus), na inteligência (homo sapiens), no sentido de família, comunidade, pátria, política, tendo como instrumentos diversos, o fogo, a escrita, a religião, a revolução industrial e por fim as tecnologias.

No entanto, apesar do sentimento religioso acompanhar o homem desde as mais priscas eras da humanidade, no aspecto moral ainda encontra-se muito aquém do desejável, já que a falta de fraternidade, a corrupção, a ganância e hediondez fazem-se presentes nos dias atuais. E aí nos perguntamos, se é verdade que evoluímos e portanto já deixamos o estado bruto dos longevos dias, época essa em que os seres se entredevoravam na busca irrefletida pela sobrevivência, porque conservamos ainda hoje o primarismo que deveria estar perdido na nossa trajetória evolutiva? Como explicar a banalização da violência nos dias atuais? Que prazer é esse que conservamos e manifestamos de menoscabar a hediondez da violência e de nos adaptarmos a ela?

Há um grande número de seres, que tem profunda adoração e deleitam-se com os mórbidos acontecimentos, que estampam as capas de jornais sensacionalistas, que tomam as redes sociais, onde fotos de restos mortais e corpos mutilados alimentam mentes doentias e desequilibradas, e esses "ditos" humanos assemelham-se cada vez mais às vorazes hienas e aos mitológicos vampiros da literatura e do cinema. E o mais estarrecedor é a capacidade que possuem de disseminar tal "cultura", seja no conto das estórias pré, durante e pós acontecimento, seja na riqueza de detalhes, que denota total desprezo pelas vítimas e a mais pura falta de humanidade. 

Dessa cultura ignóbil que proclama e justifica a violência, recheada de uma bravura indômita, surgem "novos heróis" ou mesmo "anti heróis". Digo isso porque o homem ainda está longe de compreender a bravura e o heroísmo, pois ainda acredita que o herói é aquele que aniquila o inimigo comum, fazendo a miscelânea de heroísmo associado ao poder, e que o mocinho, que é a figura representativa do heroico, sempre vence o inimigo, na maioria das vezes pelo seu extermínio.

Essa fantasia mascara a verdade dos fatos, porque se o inimigo é todo aquele que oprime um ou mais indivíduos de uma coletividade, um Estado ou uma instituição que pune seu povo torna-se o vilão, porque estes confundem punição com condenação, ainda que tal sociedade, necessite de normas e leis rígidas, que insistem a todo o tempo em desrespeitar, tornando-se rebeldes. Nesse momento surgem os "Robin Hood's" pós modernos, disseminando uma cultura de rebeldia e transgressão "justificadas" como resposta a opressão, imiscuída de escabrosa inversão de valores, corroem as sociedades nas suas bases, dilaceram patrimônios cultivados com muito esforço pelos verdadeiros heróis da história, a cada dia mais esquecidos. E quantos não foram os heróis que nos deram mostras da sua genialidade? Quantos não são os que hoje nos dão mostras diárias de sua honra na luta pela sobrevivência e na criatividade desassistida pelas sociedades?

O heroísmo de que vos falo, não é dos valorosos homens de nações diversas, que tomaram armas para libertar seu povo dos tiranos na guerra, nem tão pouco refiro-me ao Cristo crucificado, da donzela de Lorena, Gandhi, Mandela, dos grandes descobridores e inventores, esses, sem sombra de dúvida, foram notáveis exemplos que devem ser seguidos em todas as épocas. Mas refiro-me aos grandes gênios anônimos de cada dia, que levantam-se mesmo antes do soar da alvorada, com a disposição de encarar trânsitos e transportes caóticos, as vezes com dupla jornada laborativa, para manter o sustento dos filhos, desdobrando-se por educá-los e mantê-los instruídos, e que em sua grande maioria sofrerão com o abandono e a ingratidão desses filhos ao fim de sua existência.

O heroísmo desses anônimos, reside no sentimento de que tudo fariam novamente, sem mudar uma única vírgula, porque compreenderam que tal como os notáveis heróis já citados, nasceram para plantar, sem ter qualquer pretexto de participarem da colheita. Não há nada de errado em participar somente da colheita, o que configura vilania, é não ter participado da semeadura, nem da colheita e tomar de assalto ou pelo emprego da força o trigo já separado do joio, atribuindo a si direitos que não faz jus, dando azo as falas irrefletidas de homens sem moral, causadores do colapso social, nos altos de palanques e tribunas ou mesmo por trás de microfones. Ter coragem, não é se esconder por trás de fuzis para demonstrar bravura, mas sim tornar da tosca madeira o cajado que servirá de apoio aos pés descalços, na travessia do imenso deserto cheio de pontiagudos obstáculos que separa o homem da sua evolução.

Heróis não matam pela causa, mas dão suas vidas por ela, isso é prova irrefutável de evolução.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

A existência e as dualidades


O Bem é obra da perfeição de Deus, criou o Mal o homem quando optou por não praticá-lo ou simplesmente negá-lo.

A partir daí inicia uma luta quase inglória contra o seu personalismo, que na mais das vezes pende a balança para o lado sombrio do seu psique, toda a vez que se deixa arrastar pelas suas fraquezas morais, e que portanto contrapesa nos momentos de extrema aflição e desespero para um comportamento mais pacato e condizente com o propósito divino, demonstrando gestos e atitudes, as vezes sublimes, diferindo por completo de sua personalidade habitual. 

A medida que esse estado de aflição se acomoda ou mesmo dissipa, aquele "Homem Velho" ressurge com toda a sua vitalidade, retomando tudo do ponto de antes, acomodando-se no seu comportamento transgressor e ingrato, assim permanecendo nesse dualismo até que desperte ou não para a sua essência existencial, pois torna-se cada vez mais claro que, quando sua consciência não o conduz pelos caminhos do Amor, é pela força das coisas que desperta vez ou outra através do sofrimento.

Desde que começou a caminhar sobre a terra, o homem ainda não alcançou o sentido da beleza, pois ainda encarcerado à ilusão dos sentidos exteriores se permite capturar pelo esteriótipo, idealizado pelos padrões de beleza temporais das sociedades, que quase sempre mascaram a egolatria e a perfídia. Na dualidade beleza e fealdade, que não apenas se contrapõe mas se interpolam, coexistem como siamesas de costas uma para outra e que quase sempre quando penetramos uma à fundo a ponto de traspassa-la, nos deparamos inexplicavelmente com a outra.

Mas nem sempre a beleza é uma maldição, algumas criaturas dotadas de semblante angelical, possuem no íntimo, incognoscível formosura capaz de suplantar qualquer forma exterior, e é possível encontrarmos essa lindeza também em criaturas de afeadas fácies, que se torna imperceptível aos sentidos materiais de uma sociedade imiscuída de padrões preconcebidos de beleza, mas que apenas nos fere os sentidos, sem nos tocar a fundo. Quantos seres pela sua nobreza e bonomia se assemelham a figura literata e quase mitológica de "Quasímodo"? Essa figura emblemática e desfigurada que encantou a cobiçada "Esmeralda", portadora de rara beleza, que desprovida do preconceito que enceguece, enxergou a verdadeira beleza que nossos olhos materiais são incapazes de ver. Portanto não há regras, porque nem sempre o feio tem seu lado belo, tal como a beleza física ao contrário do que muitos professam, não é fundamental. É mister ser amorável, ter retidão de caráter e acima de tudo ser humilde.


Ah! O Homem e suas contrariedades existenciais, mesmo os que encontram-se afastados do "Bom" caminho, perquirem-se constantemente, e nesse torvelinho de pensamentos que o impulsiona na desenfreada busca das verdades da vida, apesar de estar frequentemente equivocado e apregoado ao mal proceder, pois resiste aos caracteres do homem de bem, transforma-o através do método experimental, da tentativa e erro, num ser melhorado a passos de cágado. Na busca da verdade, paradoxalmente utiliza-se da mentira, no culto à beleza enfeia-se no exagero e no preconceito, afasta-se frequentemente do bem pelo egoísmo do conforto material que o mal proporciona. Na tentativa de ludibriar não só o outro, mas a si mesmo, no imo do ser, sente reboar: Como podes querer descobrir e portar a verdade, entender o belo e praticar o bem que professas, se ainda não conheces a ti mesmo, e se ainda encontra-te atado a mentira, a vaidade e ao egoísmo. Liberta-te das paixões más, e segue amando.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A Religião e os religiosos


Deus no seu infinito Poder Criativo e Criador, deu origem ao universo e aos seres, no entanto, jamais criou ou fez alusão de criar religiões. Obra pura da necessidade humana, que no princípio, demonstra merecido reconhecimento a uma Inteligência Superior, que ao contemplar o infinito do espaço, ou mesmo sentindo os arroubos da natureza, percebe que sua humílima existência, é mero joguete das forças muito superiores a sua compreensão e aceitação. 

Em dado momento histórico, essa criatividade transforma-se no que antes era a ponte que ligava o homem ao Ser Supremo, em objeto de suas vaidade, orgulho e egoísmo, passando a exercer um papel separatista e imiscuído de falsas ideologias, onde todo dissidente que não dobra a cerviz diante da maioria reinante e opressora, é anatematizado, perseguido e extirpado do convívio com as nações ditas não pagãs, e assim permanece até os dias atuais. É claro que na atualidade, os concílios de antes deixaram de ser tribunais inquisidores, e tornaram-se meras tribunas destinadas as conversações teológicas, e se as fogueiras e a excomunhão foram substituídas pelas execrações públicas nos palanques, preconceitos e indiferença, é porque as distensões ganharam novas formas aquilatadas pela moderna sociedade, e hoje o dito paganismo tornou-se o que nomeamos como "distorção da verdade".

Os grandes líderes do povo escolhido por Deus, por não compreenderem a Missão de Moisés, portador da Primeira Grande Revelação, perderam-se no orgulho, ganância e vaidade, e tentaram contaminar todas as nações mostrando o fruto de sua completa ignorância, aliando-se ao poder de Roma, para desdenhar e desmerecer o Novo Missionário Divino, portador da Segunda Grande Revelação, nação esta que lhes oprimia e de quem desejavam a todo custo se libertar, onde predominavam a força bruta e a soberba, apesar do seus altos níveis cultural e político. Mas como seu propósito era elevado, O Cristo não só nos reconecta à Divindade, como nos traz também uma nova mensagem cheia de amor, paz, renovação e esperança.  E já no que antecede ao seu derradeiro momento, revela-nos sua breve partida e nos consola com a esperança de que jamais nos deixaria órfãos, e que sua obra teria continuidade adiante e encerra sua passagem deixando-nos a promessa de futura consolação.

A tão esperada e incompreendida revolução proposta por Jesus,  que libertaria o homem do seu cárcere, não se faria através da espada, tão pouco da ignomínia da guerra, e sim pelo o amor, a paciência e a paz que são libertários inclusive do espírito. E séculos mais tarde, Gandhi aplica tais preceitos do Cristo libertando seu povo da escravidão, tanto física, quanto moral. E apesar da diferença entre os dois mensageiros ser gritante e quase infinita, mais pela grandeza do primeiro do que pela pequenez do segundo, foram os seus interlocutores que fizeram a diferença possibilitando ou não o êxito, já que os primeiros julgavam-se possuidores da verdade, enquanto que os segundos foram fiéis portadores da fé.


E assim é a humanidade,  assim são os religiosos de todos os credos e de todos os tempos, principalmente os da atualidade, pois ainda contaminados pelo orgulho, digladiam-se, anatematizam-se pretextando serem os portadores da verdade, esquecendo que a religião que os conecta a Suprema Verdade, que é Deus, nos recomenda a sua eterna busca, pois somente assim se libertarão.


E afinal o que é a verdade? Se nem o Cristo que possui grande autoridade outorgada pelo Pai Supremo, e que assim proclamou-se ser o Caminho, a Verdade e a Vida, ousou tentar dimensiona-la e retirar o véu sobre a nossa ignorância de limitadas faculdades e preferiu calar-se, a tentar esclarecer Pilatos. Se nem a Suprema personificação do Bem ousou faze-lo. Quem somos nós afinal?


A verdade sobre a verdade, é que quanto mais nos aproximamos dela, mais consciência temos que muito distantes ainda nos encontramos, e que portanto ao passo que a religião nos conecta a Suprema inteligência do Criador, em contrapartida os infiéis religiosos de todos os tempos e templos são os responsáveis pela ruptura do elo entre Deus e as criaturas.