terça-feira, 6 de dezembro de 2022

A criminalização do pensamento e sua evolução


Ser, ou não ser, não é a questão, mas pensar ou agir, sim.

O pensamento sempre foi e será manifestação puramente humana; atributo precípuo do ser; ato em que realmente se sente de fato livre, independe do cárcere físico, pois transcende a matéria; é faculdade da alma. Intimamente ligado ao senso de observação do indivíduo, que também não é escravo da visão, mas obra de sua sensibilidade, que toca primeiro ao coração para depois se entregar a razão. Pensar é ter certeza da própria existência.

Observar, sentir, pensar, filosofar, declamar, cantar; tudo isso é recriar, pois só observamos e sentimos o que é criação; e nos resta então recriar com sentimento e emoção já que somos igualmente criaturas de um universo em constante criação já idealizado; tudo ação de soberana e Divina vontade.

O pensamento prescinde recolhimento e silêncio, afim de ouvir a voz da consciência que sussurra aos sentidos e promove auto conhecimento.  Ao contrário do que muitos proclamam, está longe de ser inércia ou repouso, a reflexão desenha os traços do caminho a seguir e sempre posta-se contra a ação precipitada, que por sua impetuosidade e impaciência age apressada, perdendo sempre mais tempo a corrigir e adaptar o curso de situações mal planejadas. Nem tudo aquilo que é urgente, é  apressado.

A evolução do pensamento humano dá hercúleo salto com Sócrates; de profundo cunho moral, seus ensinos revolucionam as sociedades antiga e atual, inspirando as consciências dos indivíduos em relação a ética e a espiritualidade, mas principalmente no campo da política e da justiça. A escola socrática fundada e continuada por Platão e depois Aristóteles, faz jus aos ensinos do seu mestre. 

Platão  evolui nas questões transcendentais do  espírito, justiça e política e Aristóteles, seu discípulo,   no campo da ética e da lógica. O método de ensino socrático induz a evolução da inteligência do indivíduo por si mesmo; o questionamento da sua certeza, permite enxergar novas vertentes de um mesmo ponto, e é hoje pilar da ciência contemporânea. Não são as respostas que movem o mundo, mas as questões.

E nas questões atuais, principalmente as políticas e sociais, que como dantes, continuam impulsionando a humanidade em movimentos "Agostinianos" em busca das sonhadas felicidade e justiça, deixando o comodismo e o medo, marcados apenas, como etapas vencidas ao final de cada dia, porque a necessidade sempre cria uma nova ordem de coisas.

E que por vezes esbarra-se com o paradoxal homem livre de alma cativa, preso ainda a ideia de um salvador da pátria, incapaz de dar asas a sua racionalidade, depositando no outro a salvação que a si mesmo pertence, e torna incompleta a grande obra, na parte que compete a cada indivíduo realizar no uso de sua razão. É pelos seus atos que o homem dá provas da sua identidade, e principalmente nos bons, demonstra a grandeza de seu espírito.

Outros, no pleno uso de suas faculdades, pautavam no homem e sua razão pura, todo o sentido na existência do universo, sem o homem nada teria porquê e nem para quê. "...o homem só deve temer a si mesmo, é possível sonhar o impossível e caminhar na direção de seus sonhos...".

Seguindo essa corrente de pensamento as nossas atuais sociedades, vivem inquietações, infelicidades e constantes perturbações, "já que reconhece nos seus líderes, o reflexo de si mesma", começa a questionar convenções, e a "verdade" em confronto com a ordem prática da vida. Não basta parecer virtuoso, temos de se-lo verdadeiramente. "O conhecimento torna-se verdadeiro poder, o homem descobridor perde espaço para o homem criador e idéias perdem seu dogma".

Não podemos deixar de fora a nossa malfadada imprensa, principalmente, a velha, ou seria certo dizer "velhaca"? Contrapondo-se a Nietzschequerem transformar interpretações em dogmas para escravizar as massas, ou seria correto dizer  "manadas"? Subverter a lógica e criminalizar o pensamento dissonante, já que usa de todo o seu "maquiavelismo, pois ...tem menos escrúpulos em ofender quem se faz amar do que quem se faz temer... ".

Hoje observamos, depois desse "tour" pela evolução da razão, que mudaram os atores: os antes sacerdotes, monarcas, regimes e agora magistrados, continuam a tentar escravizar a humanidade na sua "monoidéia" com o uso dos mais puros sofismas para sancionar suas tiranias, contrariam Goethe e seu abismo entre "pensar e agir", com a fantasia Hollywoodiana de "Minority Report".

Por fim, como foi dito lá atrás, não passam de túmulos caiados, tudo para justificar ímpias e ignóbeis doutrinas travestidas da pseudo democracia. É natimorta a vontade, o pensamento é intangível e procura sempre por melhores atores.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Felicidade possível, um ponto de luz


É possível ser feliz neste mundo? Pergunta essa difícil de responder. Terreno espinhoso do psique humano. Sim, porque este sentimento está ligado diretamente a satisfação íntima e a paz interior que experimentamos momentaneamente, quando alcançamos nossas expectativas. Há quem diga, que nesse mundo só é tangível a felicidade relativa e que esta reside na prática do bem e no amor ao próximo. Noutra corrente há quem diga, que as conquistas pessoais são provas incontestes de felicidade e muitos são os que partilham da opinião que jamais a conhecerão nessa vida, pois aqui vieram pra sofrer, e somente conhecem a infelicidade.

Como contestar a alegria de um cão diante de uma tigela cheia ou de quando ligado ao dono, através da corrente que o encarcera, durante o passeio diário? Consegues duvidar do brilho quase fosco nos olhos de um lavrador, que observa o cair da chuva sobre seu campo? Contestarás a felicidade de pais diante dos primeiros passos e palavras dos seus rebentos? E o que dizer do brilho vivo na troca de olhares entre nubentes no altar?

Mas, porque a felicidade momentânea do outro nos fere tanto? Teria eu nascido destinado a felicidade e o outro ao eterno sofrimento? O homem, diferente das demais espécies da criação, ainda não desenvolveu a capacidade de dividir, preso ao egoísmo, transforma derrotas temporárias em duradouras penas ao seu espírito, e vê na destruição da felicidade alheia o lenitivo para suas dores. Mas a inveja é úlcera deveras corrosiva, que exige cada vez mais, doses maiores desse equivocado analgésico para a dor de uma alma atormentada.

A minha idéia tem mais fundamento que a sua, pois eu sou mais capacitado pelo que estudei,  pelo que vivi, pelo que sofri. A ideologia que sigo é mais apoiada na razão do que a que você defende. A religião que professo é imiscuída e apoiada na mais pura verdade. O time para qual torço tem mais camisa, tradição e já conquistou muito mais títulos que o seu. Somos assim, nos enquadramos nos sistemas de nosso interesse ou criamos um, que nos atenda, movidos sempre por nossas mesquinhas paixões.

Nações oprimem nações, Estados oprimem seu povo, o povo em sua maioria oprimem as minorias, homens oprimem mulheres, e ambos oprimem seus filhos, que por conseguinte quando não oprimem seus pequenos amigos de estimação, oprimem seus pares nos educandários, demonstrando o que o mau exemplo pode despertar nas pequenas criaturas, que pelo empirismo das relações faz prevalecer os mais fortes, para que se coloquem sempre no topo da cadeia alimentar de suas convicções, fazendo inclusive o uso da força bruta que nos assemelha aos irracionais. O oprimido de hoje será o opressor de amanhã, caso não consiga se elevar para construir novos paradigmas morais.

Mas aquela tal felicidade, é incompatível com a irracionalidade, e com a brutalidade das paixões desordenadas, que embotam os reais valores, que pode e deve nos diferenciar e afastar cada dia mais dos brutos de outrora, estabelecendo a harmonia entre as diferenças, a responsabilidade nas divergências, e fazendo entender que todo o dia é dia de lutar, que vitórias e derrotas, são igualmente aprendizados e prêmios pelo esforço, são a ceifa e não o plantio.

A certeza é que no dia seguinte o sol brilhará, dia mais breve a chuva virá, já que o solo que vive pronto a esperar, que mãos operosas espalhem as sementes, porque somente assim a felicidade permanente reinará. A felicidade é possível, mais amor e menos paixão.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Olhos de "Ver"

O clamor sequioso de justiça, É quase sempre, portador de rebeldia e orgulho. Agride, revolta, trama e faz barulho, Denota cegueira transitória e enfermiça.
Por sob o véu injustiças há, Por sobre ele, com Olhos de "Ver", não. Nas reviravoltas dos justos por injustos, Certo é, que não existe inocência e razão.
No Divino código, que é justo e perfeito, Existe misericórdia e apelação. E não há brecha, distorção ou falsa interpretação, Na Lei de Causa e Efeito.
Ainda aquém de compreender seu sofrimento, Segue assim, a claudicante humanidade. Nas idas e vindas, da euforia ao lamento, Em sua busca, por ora inglória, da tal felicidade.
Até que há de chegar o dia, Que o Amor se unirá em laços à razão. Sob o clarão dessa luz que irradia, O Bem que encerra o caos e a escuridão.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Tal qual cheguei

Quando chegar o dia, quero ir sem demora,
Não quero romaria, nem choradeira,
Tão pouco amargura e nem tristeza,
Apenas a relevância de agora.

Façam-me o favor caros amigos,
De não me ligar tal importância,
Não se arrastando pelas convenções,
Na força e no clamor da circunstância.

Quero partir como o Chico,
Envolto em densa cortina de fumaça,
Durante a realização de grande festa,
Cheia de alegria, regada a cachaça.

A vida é um porto com idas e vindas,
Que traz ao mundo constantes renovações,
Tenham esperanças que coisa melhor há de vir,
Afim de aos poucos corrigir minhas imperfeições.

Se desejar é verdadeiramente plasmar,
E que o pensamento é terreno fecundo,
Se Deus quiser e há de querer,
Partirei tal qual cheguei,
Entre um gol e outro do Brasil, na copa do mundo.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Somos todos "Prostitutas"

A profissão mais antiga que a humanidade conhece, está conosco desde que o mundo é mundo. Acompanha o nosso primarismo e a nossa lenta gradação moral há séculos e séculos. Mais do que mercantilizar o corpo por parcas quantias pecuniárias, a prostituição pode ter sentido mais amplo do que esta que os homens de todos os tempos lhe atribuiu.

Na sua mais compreensiva e inocente definição, é mera troca de sexo por moedas, mas essa forma é a que reflete os quadros de desigualdades, que durante séculos e séculos permanece quase imutável, pois o egoísmo e cupidez humanas não lhe permitem mudanças. Jovens continuam a ingressar nesse mercado, seja por falta de oportunidades, seja por imposição e manipulação na busca fremente de sua sobrevivência e na de sua família, em um mundo de alto índice de violência, que não é necessariamente a morte, mas a violência da subsistência do ser no seu cotidiano.

Não nos demos conta, que a prostituição está na nossa cultura, aprendemos desde cedo a barganhar. Quando a mãe lhe diz: Coma a comida senão, não te darei o doce que queres tanto! Meu filho, estuda e passa de ano, que te darei a bicicleta que me pediste! Passando para a universidade te darei aquele carro que prometi! Não há nada de errado em dar um doce a uma criança, uma bicicleta a um adolescente ou um carro a um jovem quase adulto, desde que isso seja feito através de uma vontade pura do coração e não seja exigido algo em troca, fazendo valer o poder da barganha, o condicionamento.

Essa mensagem subliminar, que registrará no psique do indivíduo a sua capacidade de desenvolvimento pessoal condicionada a premiação, também refletirá nas estruturas organizacionais e institucionais. O ser humano perderá a sua espontaneidade de fazer, e a trocará pelo sentimento mercantil do "toma lá dá cá". Nesse momento o ser deixa de entender o conceito de valor e confundi-lo com preço. Tudo o que realizará a partir de então será medido, premeditado e cobrado adiante.

Uma mulher casta, que ao casar-se, chantageia o marido com favores sexuais impensáveis em troca de joias, luxos, confortos e tudo o mais que a sua imaginação gananciosa conseguir alcançar, não estaria se comportando como uma cortesã? Mas a sociedade é hipócrita, isso não pode ser considerado prostituição, mas porquê? Não está trocando vantagens por prazer? 

E o pior lado da prostituição é o que vemos hoje estarrecidos na política, partidos tanto da oposição, como os da base de apoio, esperando uma oportunidade de barganha, querendo trocar apoio por vantagens, querendo trocar oposição por poder. É um ministério em troca de apoio, é uma secretaria em troca de organização de uma manifestação pró. É um indulto do governo em troca de uma delação e o governo que não fica atrás, tenta comprar o povo, na tentativa de que não faça barulho através de programas sociais.

E você que vendeu seu voto por assistencialismo, por tijolos, saco de cimento, para ter o direito de pular a fila no atendimento ou cirurgia em qualquer hospital público, não fica de fora. Enquanto não mostrarmos o nosso devido "Valor" e ficarmos mostrando o nosso "Preço" não mudaremos nada, e continuaremos sendo tratados como prostitutas rameiras. Porque as do chamado "Book Rosa", estão perambulando pelos corredores do congresso e do senado.

Se você percebeu agora amigo, a prostituição as vezes confunde-se com corrupção, porque andam juntas!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O Bardo e as velhas tragédias da vida moderna.


Imaginemos Shakespeare, convocando o seu famoso e mítico elenco, o mesmo de suas famosas tragédias para uma reunião de bastidores. Diante dos personagens que o atenderam prontamente a convocação,  segue sua exposição:
- Em uma noite há duas semanas, tive um sonho maravilhoso, sonhei que estava no futuro, no ano de 2015.  Vi um mundo e humanidade mudados, muito diferentes dos atuais, e portanto os convoquei, no intuito de propor uma readaptação de nossas obras para o porvir. O que acham de levar os textos que preparei, e na próxima semana nos reunirmos novamente para discutir esse novo empreendimento?

No dia marcado, todos os nossos personagens apresentam-se com semblantes taciturnos, rostos meio desfigurados, andares vacilantes. Ao acomodarem-se em torno de William, entreolham-se com um misto de indignação e consternação, o que é evidentemente percebido,  e nosso sonhador amigo inicia o diálogo:
- O que houve meus amigos, que caras são essas?

Os personagens olham-se novamente dando a entender de que aguardavam quem tomaria primeiro a palavra e que também já haviam se reunido anteriormente, então quebra-se o silêncio:

(Julieta) - William, essa nova estória, Deus!! achei que desta vez eu e Romeu viveríamos o nosso amor sem interferências, sem preconceitos e sem perseguições. Acabar ambos executados com "tiros de fuzil" por membros da facção dos capuletos em um quarto de "motel", e com requintes de crueldade por conta de guerra de fações rivais. Comunidade dos montecchios contra a comunidade dos capuletos, sendo chamada por esses assassinos de "traíra", "x9". William não entendo! o que é motel? Que é fuzil?  Que expressões são essas?

(Romeu) - Senhor que devo compreender sobre Benvólio e Teobaldo disputarem "pontos de drogas"? e depois de Teobaldo "fechar" Mercúrio, entramos em luta corporal, e sua "beretta 9mm" dispara acidentalmente tirando sua vida. beretta 9mm? Ponto de drogas? fechar? Não entendo.

A partir deste momento uma tempestade de perguntas  e reclamações desabam sobre sua cabeça:

(Lear) - Expulsar minha filha Cordélia por ela se envolver com um homem de outra raça e classe social diferentes? Depois para me afastarem dos negócios do meu império empresarial, sofro violento atentado contra a vida, tramado pelas minhas outras filhas em conluio com seus maridos, ambos advogados e sócios com o "escritório Cornualha & Albany associados". Não há ética e nem moral nessa moderna sociedade, que ainda permita que homens que vivam no meio legal, ainda cometam tais crimes?

(Glaucester) - Depois de ser incriminado pelos genros do meu amigo pela tentiva contra a sua vida e ser preso injustamente, trama esta da qual meu filho ilegítimo Edmundo participa, dando falso testemunho contra mim. Quando sou libertado ainda sou assassinado?

(Edmundo) - Depois do uso político da trama em que falsamente testemunhei contra meu pai, e de forjar a morte de Cordélia e seu esposo através de um acidente de carro, é certo que seria passível pelas Leis atuais de enforcamento ou prisão perpétua nas masmorras, e no entanto acabo sendo preso e por pouquíssimo tempo por ser implicado em  "CPI's" do "mensalão" e no processo do "petrolão". Que justiça insana é essa do futuro? Que lugar é esse? Me parece o paraíso ideal para criminosos e infratores.

(Edgard) - Eu e Kant parecemos cair de paraquedas no fim da trama não acha? Kant como meu amigo e advogado e eu considerado legalmente incapaz, acabo por herdar toda fortuna de Lear e seu império?

(Mackbeth) - Quanto as profecias e as três bruxas serem substituídas por "cartomantes" e "jogadoras de búzios" tudo bem, mas alterastes um pouco o contexto já que lady Macbeth deixou de ser minha comparsa, e se torna testemunha do meu crime, e me escraviza com chantagens em troca de seu silêncio, já que exercia a profissão de jornalista de um grande veículo e viu quando atirei em Duncan no dia de sua posse como presidente eleito dentro da basílica, durante sua cerimônia de posse que finalizava um período de intensa ditadura. Depois de assumir o seu lugar fui quase expulso pelo povo, e no entanto os meus sucessores, eleitos por esse mesmo povo, dizem não ser possível governar sem o meu apoio, inclusive os radicais. Que Hilário? Essa política moderna é supreendente e muito parecida com aquela que aleijou o Estado romano.

(Lady Macbeth) - Willie, minha participação  na trama ficou insignificante depois deste fato, só me ocupo de fazer matérias de jornalista de segundo escalão, e agora me chamo Mary? Isso é um tédio.

(Otelo) - Will, achei estranho esse enredo, aliás bastante complexo. Nascido no Brasil em comunidade pobre, me torno o maior "jogador de futebol" do mundo, sou negociado com o "clube" Barcelona, conheço Desdêmona na "night", "ficamos", sentimos que a nossa relação de "pele" é muito forte? Por causa da perseguição de seu pai, um político importante da Europa, fecho contrato com um "clube de massa" brasileiro. Ao retornar a minha terra, conheço um fã, nos tornamos amigos e o jovem Cassio vira meu procurador, meu "marqueteiro"? É o que desperta a ira de Iago, amigo de longa data. Depois de estrangular minha amada e Cassio, e atear fogo na minha casa para encobrir o crime, sou inocentado por bons advogados e por conta do meu prestígio junto a opinião pública. Acabo morrendo pelas mãos de um torcedor enfurecido e fanático, por conta das minhas más atuações e o consequente rebaixamento do seu "time a segunda divisão", Uau, que isso Will? Toda essa passionalidade, ainda é motivação para crimes no futuro?

(Iago) - Willian, o meu personagem manteve-se conforme o anterior, essa trama contra Otelo, jogá-lo contra Desdêmona e Cassio. Achei legal essa ideia de promover o encontro de Brabâncio e o torcedor para tramar a morte de Otelo, dando a entender que o crime fora passional. Mas esse negócio de "imprensa marrom", e ser homossexual não assumido, "sair do armário" achei um tanto esquisito. O público no futuro aceitará tal coisa?

(Desdêmona) - Willie, esse comportamento machista, essa violência contra a mulher ainda é permitida no futuro?

(Shakespeare) - E você Hamlet, não tem nada a dizer?

(Hamlet) -  Will, te responderei conforme a forma de falar que me fora atribuída nesta sua nova empreitada.  Mano, essa sua "viagem" durante o meu monólogo: "...Ser ou não ser, eis a questão... aí grita alguém da platéia: - "Sai do armário Barbie!!!!". Me transformando de antigo perturbado em transviado. Meu, cê pirô de vez!. Tu tá parecendo até os "cracudos" lá da história do "Roma e da Juli", cê tava doidão? Confessa! Vei, na boa!, cê tá abusando do rapé. .

Diante de tamanha relutância, e o grande volume de interjeições e questionamentos, Shakespeare abre um vasto sorriso e diz:

(Shakespeare) - Vocês estão certos. Me acordaram desse louco sonho, ainda estava dormindo sem perceber. Talvez não estejamos mesmo preparados, melhor é deixar tudo como já está.

E fitando-os soltou estrepitante gargalha, aplaudiu-os, abraçaram-se, despediram-se e seguiram suas vidas.

Para o bom entendedor pingo é letra.
Para o falso entendedor a letra mata.
Para o mau entendedor é letra-morta.
E o que não tem moral quer matar a letra.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O povo e os bordões.


É comum ouvirmos dentre os ditos mais populares, na maioria das vezes, fragmentos de pensamentos, frases soltas, que em conjunto com idéias dissonantes e quase sempre inverossímeis, formam sofismas que podem corromper as sociedades, principalmente porque muitos seres carregam consigo a preguiça de refletir, pois se debruçassem de fato o raciocínio sobre tais expressões, por menos intelectualizados que fossem, encontrariam tais distorções morais quase que de imediato nessas afirmativas.

Diz-se que: "Uma mentira repetida muitas vezes, por muito tempo, acaba tornando-se uma verdade". Ora, como pode ser isto? Será que uma verdade repetida muitas vezes tornar-se-á mentira? Que teorema é esse que mal suporta ao primeiro exame da lógica? De onde se origina tamanho absurdo? Qual a finalidade de se postular tal pensamento, que pela ignorância do povo, se torna endêmico e já está apto a tornar-se uma máxima, uma Lei? Quem lucraria com isso?

Podemos talvez apontar sua origem nos processos motivacionais, que possuem o intrínseco objetivo de elevar a auto estima pessoal ou de profissionais diversos para o desempenho das atividades laborais ou mesmo para as lutas do dia-a-dia, pois a repetição de algumas máximas nesse processo, podem modificar o comportamento do indivíduo para um melhor enfrentamento da vida. Frequentemente usa-se a máxima  de auto sugestão  de Ben Sweetland (I can - Posso) "...Se repetires uma sugestão com bastante frequência, embora possas ter dificuldade em aceitá-la sinceramente nas primeiras vezes, ela, com o tempo, virá a ser adotada...". Isso nos aponta sua provável  origem.

Daí querer transferir para o outro esse processo assemelha-se à indução mental, a mais pura lavagem cerebral. Nem sempre aquilo que funciona pra você funcionará para o outro. Ainda mais quando tenta-se transformar coisas inverídicas em realidades aceitáveis, que combinada com a maldade e a má intenção dos humanos, manipulam a verdade a conta de suas pérfidas intenções. A preguiça de reflexão corrobora com tal vilania, pois aqueles que se dão ao trabalho de refletir pela coletividade, escravizam suas mentes usando sofismas semelhantes. 

Para combater isso temos que, "Uma mentira é e sempre será mentira, mesmo que muitos estejam repetindo e acreditando nela, e uma verdade será sempre uma verdade, mesmo que muitos não acreditem nela". O fato de não acreditar em uma verdade, explica-se pela ação do ser humano, e da sua não aceitação, ou mesmo pelo fato de querer elevar suas ideologias acima dos fatos, ato de teimosia ou má intenção.

Vivemos tempos difíceis, a guerra constante entre a humanidade de um lado e a ética e a moral no front oposto.  Assistimos e ouvimos todo o dia os maiores absurdos proferidos e cometidos por homens que estão à frente, e que portanto deveriam liderar e conduzir seus rebanhos, e que no entanto como vorazes lobos os oprimem e os abatem paulatinamente,  trazendo ruínas,  desespero e desesperança as sociedades. São cegos condutores de cegos. Que possamos pois, abrir os nossos olhos, porque já nos disse Platão: "...O castigo dos bons que não se interessam pela política é ser governados pelos maus que por ela se interessam...".

O bem põe fim ao caos, ao passo que o mal com ele se compraz. A verdade alia-se ao tempo que por fim, sempre a revela.