O clamor sequioso de justiça, É quase sempre, portador de rebeldia e orgulho. Agride, revolta, trama e faz barulho, Denota cegueira transitória e enfermiça.
Por sob o véu injustiças há, Por sobre ele, com Olhos de "Ver", não. Nas reviravoltas dos justos por injustos, Certo é, que não existe inocência e razão.
No Divino código, que é justo e perfeito, Existe misericórdia e apelação. E não há brecha, distorção ou falsa interpretação, Na Lei de Causa e Efeito.
Ainda aquém de compreender seu sofrimento, Segue assim, a claudicante humanidade. Nas idas e vindas, da euforia ao lamento, Em sua busca, por ora inglória, da tal felicidade.
Até que há de chegar o dia, Que o Amor se unirá em laços à razão. Sob o clarão dessa luz que irradia, O Bem que encerra o caos e a escuridão.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Olhos de "Ver"
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Tal qual cheguei
Quando chegar o dia, quero ir sem demora,
Não quero romaria, nem choradeira,
Tão pouco amargura e nem tristeza,
Apenas a relevância de agora.
Façam-me o favor caros amigos,
De não me ligar tal importância,
Não se arrastando pelas convenções,
Na força e no clamor da circunstância.
Quero partir como o Chico,
Envolto em densa cortina de fumaça,
Durante a realização de grande festa,
Cheia de alegria, regada a cachaça.
A vida é um porto com idas e vindas,
Que traz ao mundo constantes renovações,
Tenham esperanças que coisa melhor há de vir,
Afim de aos poucos corrigir minhas imperfeições.
Se desejar é verdadeiramente plasmar,
E que o pensamento é terreno fecundo,
Se Deus quiser e há de querer,
Partirei tal qual cheguei,
Entre um gol e outro do Brasil, na copa do mundo.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Somos todos "Prostitutas"
A profissão mais antiga que a humanidade conhece, está conosco desde que o mundo é mundo. Acompanha o nosso primarismo e a nossa lenta gradação moral há séculos e séculos. Mais do que mercantilizar o corpo por parcas quantias pecuniárias, a prostituição pode ter sentido mais amplo do que esta que os homens de todos os tempos lhe atribuiu.
Na sua mais compreensiva e inocente definição, é mera troca de sexo por moedas, mas essa forma é a que reflete os quadros de desigualdades, que durante séculos e séculos permanece quase imutável, pois o egoísmo e cupidez humanas não lhe permitem mudanças. Jovens continuam a ingressar nesse mercado, seja por falta de oportunidades, seja por imposição e manipulação na busca fremente de sua sobrevivência e na de sua família, em um mundo de alto índice de violência, que não é necessariamente a morte, mas a violência da subsistência do ser no seu cotidiano.
Não nos demos conta, que a prostituição está na nossa cultura, aprendemos desde cedo a barganhar. Quando a mãe lhe diz: Coma a comida senão, não te darei o doce que queres tanto! Meu filho, estuda e passa de ano, que te darei a bicicleta que me pediste! Passando para a universidade te darei aquele carro que prometi! Não há nada de errado em dar um doce a uma criança, uma bicicleta a um adolescente ou um carro a um jovem quase adulto, desde que isso seja feito através de uma vontade pura do coração e não seja exigido algo em troca, fazendo valer o poder da barganha, o condicionamento.
Essa mensagem subliminar, que registrará no psique do indivíduo a sua capacidade de desenvolvimento pessoal condicionada a premiação, também refletirá nas estruturas organizacionais e institucionais. O ser humano perderá a sua espontaneidade de fazer, e a trocará pelo sentimento mercantil do "toma lá dá cá". Nesse momento o ser deixa de entender o conceito de valor e confundi-lo com preço. Tudo o que realizará a partir de então será medido, premeditado e cobrado adiante.
Uma mulher casta, que ao casar-se, chantageia o marido com favores sexuais impensáveis em troca de joias, luxos, confortos e tudo o mais que a sua imaginação gananciosa conseguir alcançar, não estaria se comportando como uma cortesã? Mas a sociedade é hipócrita, isso não pode ser considerado prostituição, mas porquê? Não está trocando vantagens por prazer?
E o pior lado da prostituição é o que vemos hoje estarrecidos na política, partidos tanto da oposição, como os da base de apoio, esperando uma oportunidade de barganha, querendo trocar apoio por vantagens, querendo trocar oposição por poder. É um ministério em troca de apoio, é uma secretaria em troca de organização de uma manifestação pró. É um indulto do governo em troca de uma delação e o governo que não fica atrás, tenta comprar o povo, na tentativa de que não faça barulho através de programas sociais.
E você que vendeu seu voto por assistencialismo, por tijolos, saco de cimento, para ter o direito de pular a fila no atendimento ou cirurgia em qualquer hospital público, não fica de fora. Enquanto não mostrarmos o nosso devido "Valor" e ficarmos mostrando o nosso "Preço" não mudaremos nada, e continuaremos sendo tratados como prostitutas rameiras. Porque as do chamado "Book Rosa", estão perambulando pelos corredores do congresso e do senado.
Se você percebeu agora amigo, a prostituição as vezes confunde-se com corrupção, porque andam juntas!
sexta-feira, 26 de junho de 2015
O Bardo e as velhas tragédias da vida moderna.
Imaginemos Shakespeare, convocando o seu famoso e mítico elenco, o mesmo de suas famosas tragédias para uma reunião de bastidores. Diante dos personagens que o atenderam prontamente a convocação, segue sua exposição:
- Em uma noite há duas semanas, tive um sonho maravilhoso, sonhei que estava no futuro, no ano de 2015. Vi um mundo e humanidade mudados, muito diferentes dos atuais, e portanto os convoquei, no intuito de propor uma readaptação de nossas obras para o porvir. O que acham de levar os textos que preparei, e na próxima semana nos reunirmos novamente para discutir esse novo empreendimento?
No dia marcado, todos os nossos personagens apresentam-se com semblantes taciturnos, rostos meio desfigurados, andares vacilantes. Ao acomodarem-se em torno de William, entreolham-se com um misto de indignação e consternação, o que é evidentemente percebido, e nosso sonhador amigo inicia o diálogo:
- O que houve meus amigos, que caras são essas?
Os personagens olham-se novamente dando a entender de que aguardavam quem tomaria primeiro a palavra e que também já haviam se reunido anteriormente, então quebra-se o silêncio:
(Julieta) - William, essa nova estória, Deus!! achei que desta vez eu e Romeu viveríamos o nosso amor sem interferências, sem preconceitos e sem perseguições. Acabar ambos executados com "tiros de fuzil" por membros da facção dos capuletos em um quarto de "motel", e com requintes de crueldade por conta de guerra de fações rivais. Comunidade dos montecchios contra a comunidade dos capuletos, sendo chamada por esses assassinos de "traíra", "x9". William não entendo! o que é motel? Que é fuzil? Que expressões são essas?
(Romeu) - Senhor que devo compreender sobre Benvólio e Teobaldo disputarem "pontos de drogas"? e depois de Teobaldo "fechar" Mercúrio, entramos em luta corporal, e sua "beretta 9mm" dispara acidentalmente tirando sua vida. beretta 9mm? Ponto de drogas? fechar? Não entendo.
A partir deste momento uma tempestade de perguntas e reclamações desabam sobre sua cabeça:
(Lear) - Expulsar minha filha Cordélia por ela se envolver com um homem de outra raça e classe social diferentes? Depois para me afastarem dos negócios do meu império empresarial, sofro violento atentado contra a vida, tramado pelas minhas outras filhas em conluio com seus maridos, ambos advogados e sócios com o "escritório Cornualha & Albany associados". Não há ética e nem moral nessa moderna sociedade, que ainda permita que homens que vivam no meio legal, ainda cometam tais crimes?
(Glaucester) - Depois de ser incriminado pelos genros do meu amigo pela tentiva contra a sua vida e ser preso injustamente, trama esta da qual meu filho ilegítimo Edmundo participa, dando falso testemunho contra mim. Quando sou libertado ainda sou assassinado?
(Edmundo) - Depois do uso político da trama em que falsamente testemunhei contra meu pai, e de forjar a morte de Cordélia e seu esposo através de um acidente de carro, é certo que seria passível pelas Leis atuais de enforcamento ou prisão perpétua nas masmorras, e no entanto acabo sendo preso e por pouquíssimo tempo por ser implicado em "CPI's" do "mensalão" e no processo do "petrolão". Que justiça insana é essa do futuro? Que lugar é esse? Me parece o paraíso ideal para criminosos e infratores.
(Edgard) - Eu e Kant parecemos cair de paraquedas no fim da trama não acha? Kant como meu amigo e advogado e eu considerado legalmente incapaz, acabo por herdar toda fortuna de Lear e seu império?
(Mackbeth) - Quanto as profecias e as três bruxas serem substituídas por "cartomantes" e "jogadoras de búzios" tudo bem, mas alterastes um pouco o contexto já que lady Macbeth deixou de ser minha comparsa, e se torna testemunha do meu crime, e me escraviza com chantagens em troca de seu silêncio, já que exercia a profissão de jornalista de um grande veículo e viu quando atirei em Duncan no dia de sua posse como presidente eleito dentro da basílica, durante sua cerimônia de posse que finalizava um período de intensa ditadura. Depois de assumir o seu lugar fui quase expulso pelo povo, e no entanto os meus sucessores, eleitos por esse mesmo povo, dizem não ser possível governar sem o meu apoio, inclusive os radicais. Que Hilário? Essa política moderna é supreendente e muito parecida com aquela que aleijou o Estado romano.
(Lady Macbeth) - Willie, minha participação na trama ficou insignificante depois deste fato, só me ocupo de fazer matérias de jornalista de segundo escalão, e agora me chamo Mary? Isso é um tédio.
(Otelo) - Will, achei estranho esse enredo, aliás bastante complexo. Nascido no Brasil em comunidade pobre, me torno o maior "jogador de futebol" do mundo, sou negociado com o "clube" Barcelona, conheço Desdêmona na "night", "ficamos", sentimos que a nossa relação de "pele" é muito forte? Por causa da perseguição de seu pai, um político importante da Europa, fecho contrato com um "clube de massa" brasileiro. Ao retornar a minha terra, conheço um fã, nos tornamos amigos e o jovem Cassio vira meu procurador, meu "marqueteiro"? É o que desperta a ira de Iago, amigo de longa data. Depois de estrangular minha amada e Cassio, e atear fogo na minha casa para encobrir o crime, sou inocentado por bons advogados e por conta do meu prestígio junto a opinião pública. Acabo morrendo pelas mãos de um torcedor enfurecido e fanático, por conta das minhas más atuações e o consequente rebaixamento do seu "time a segunda divisão", Uau, que isso Will? Toda essa passionalidade, ainda é motivação para crimes no futuro?
(Iago) - Willian, o meu personagem manteve-se conforme o anterior, essa trama contra Otelo, jogá-lo contra Desdêmona e Cassio. Achei legal essa ideia de promover o encontro de Brabâncio e o torcedor para tramar a morte de Otelo, dando a entender que o crime fora passional. Mas esse negócio de "imprensa marrom", e ser homossexual não assumido, "sair do armário" achei um tanto esquisito. O público no futuro aceitará tal coisa?
(Desdêmona) - Willie, esse comportamento machista, essa violência contra a mulher ainda é permitida no futuro?
(Shakespeare) - E você Hamlet, não tem nada a dizer?
(Lady Macbeth) - Willie, minha participação na trama ficou insignificante depois deste fato, só me ocupo de fazer matérias de jornalista de segundo escalão, e agora me chamo Mary? Isso é um tédio.
(Otelo) - Will, achei estranho esse enredo, aliás bastante complexo. Nascido no Brasil em comunidade pobre, me torno o maior "jogador de futebol" do mundo, sou negociado com o "clube" Barcelona, conheço Desdêmona na "night", "ficamos", sentimos que a nossa relação de "pele" é muito forte? Por causa da perseguição de seu pai, um político importante da Europa, fecho contrato com um "clube de massa" brasileiro. Ao retornar a minha terra, conheço um fã, nos tornamos amigos e o jovem Cassio vira meu procurador, meu "marqueteiro"? É o que desperta a ira de Iago, amigo de longa data. Depois de estrangular minha amada e Cassio, e atear fogo na minha casa para encobrir o crime, sou inocentado por bons advogados e por conta do meu prestígio junto a opinião pública. Acabo morrendo pelas mãos de um torcedor enfurecido e fanático, por conta das minhas más atuações e o consequente rebaixamento do seu "time a segunda divisão", Uau, que isso Will? Toda essa passionalidade, ainda é motivação para crimes no futuro?
(Iago) - Willian, o meu personagem manteve-se conforme o anterior, essa trama contra Otelo, jogá-lo contra Desdêmona e Cassio. Achei legal essa ideia de promover o encontro de Brabâncio e o torcedor para tramar a morte de Otelo, dando a entender que o crime fora passional. Mas esse negócio de "imprensa marrom", e ser homossexual não assumido, "sair do armário" achei um tanto esquisito. O público no futuro aceitará tal coisa?
(Desdêmona) - Willie, esse comportamento machista, essa violência contra a mulher ainda é permitida no futuro?
(Shakespeare) - E você Hamlet, não tem nada a dizer?
(Hamlet) - Will, te responderei conforme a forma de falar que me fora atribuída nesta sua nova empreitada. Mano, essa sua "viagem" durante o meu monólogo: "...Ser ou não ser, eis a questão... aí grita alguém da platéia: - "Sai do armário Barbie!!!!". Me transformando de antigo perturbado em transviado. Meu, cê pirô de vez!. Tu tá parecendo até os "cracudos" lá da história do "Roma e da Juli", cê tava doidão? Confessa! Vei, na boa!, cê tá abusando do rapé. .
Diante de tamanha relutância, e o grande volume de interjeições e questionamentos, Shakespeare abre um vasto sorriso e diz:
(Shakespeare) - Vocês estão certos. Me acordaram desse louco sonho, ainda estava dormindo sem perceber. Talvez não estejamos mesmo preparados, melhor é deixar tudo como já está.
E fitando-os soltou estrepitante gargalha, aplaudiu-os, abraçaram-se, despediram-se e seguiram suas vidas.
Para o bom entendedor pingo é letra.
Para o falso entendedor a letra mata.
Para o mau entendedor é letra-morta.
E o que não tem moral quer matar a letra.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
O povo e os bordões.
É comum ouvirmos dentre os ditos mais populares, na maioria das vezes, fragmentos de pensamentos, frases soltas, que em conjunto com idéias dissonantes e quase sempre inverossímeis, formam sofismas que podem corromper as sociedades, principalmente porque muitos seres carregam consigo a preguiça de refletir, pois se debruçassem de fato o raciocínio sobre tais expressões, por menos intelectualizados que fossem, encontrariam tais distorções morais quase que de imediato nessas afirmativas.
Diz-se que: "Uma mentira repetida muitas vezes, por muito tempo, acaba tornando-se uma verdade". Ora, como pode ser isto? Será que uma verdade repetida muitas vezes tornar-se-á mentira? Que teorema é esse que mal suporta ao primeiro exame da lógica? De onde se origina tamanho absurdo? Qual a finalidade de se postular tal pensamento, que pela ignorância do povo, se torna endêmico e já está apto a tornar-se uma máxima, uma Lei? Quem lucraria com isso?
Podemos talvez apontar sua origem nos processos motivacionais, que possuem o intrínseco objetivo de elevar a auto estima pessoal ou de profissionais diversos para o desempenho das atividades laborais ou mesmo para as lutas do dia-a-dia, pois a repetição de algumas máximas nesse processo, podem modificar o comportamento do indivíduo para um melhor enfrentamento da vida. Frequentemente usa-se a máxima de auto sugestão de Ben Sweetland (I can - Posso) "...Se repetires uma sugestão com bastante frequência, embora possas ter dificuldade em aceitá-la sinceramente nas primeiras vezes, ela, com o tempo, virá a ser adotada...". Isso nos aponta sua provável origem.
Daí querer transferir para o outro esse processo assemelha-se à indução mental, a mais pura lavagem cerebral. Nem sempre aquilo que funciona pra você funcionará para o outro. Ainda mais quando tenta-se transformar coisas inverídicas em realidades aceitáveis, que combinada com a maldade e a má intenção dos humanos, manipulam a verdade a conta de suas pérfidas intenções. A preguiça de reflexão corrobora com tal vilania, pois aqueles que se dão ao trabalho de refletir pela coletividade, escravizam suas mentes usando sofismas semelhantes.
Para combater isso temos que, "Uma mentira é e sempre será mentira, mesmo que muitos estejam repetindo e acreditando nela, e uma verdade será sempre uma verdade, mesmo que muitos não acreditem nela". O fato de não acreditar em uma verdade, explica-se pela ação do ser humano, e da sua não aceitação, ou mesmo pelo fato de querer elevar suas ideologias acima dos fatos, ato de teimosia ou má intenção.
Vivemos tempos difíceis, a guerra constante entre a humanidade de um lado e a ética e a moral no front oposto. Assistimos e ouvimos todo o dia os maiores absurdos proferidos e cometidos por homens que estão à frente, e que portanto deveriam liderar e conduzir seus rebanhos, e que no entanto como vorazes lobos os oprimem e os abatem paulatinamente, trazendo ruínas, desespero e desesperança as sociedades. São cegos condutores de cegos. Que possamos pois, abrir os nossos olhos, porque já nos disse Platão: "...O castigo dos bons que não se interessam pela política é ser governados pelos maus que por ela se interessam...".
O bem põe fim ao caos, ao passo que o mal com ele se compraz. A verdade alia-se ao tempo que por fim, sempre a revela.
Podemos talvez apontar sua origem nos processos motivacionais, que possuem o intrínseco objetivo de elevar a auto estima pessoal ou de profissionais diversos para o desempenho das atividades laborais ou mesmo para as lutas do dia-a-dia, pois a repetição de algumas máximas nesse processo, podem modificar o comportamento do indivíduo para um melhor enfrentamento da vida. Frequentemente usa-se a máxima de auto sugestão de Ben Sweetland (I can - Posso) "...Se repetires uma sugestão com bastante frequência, embora possas ter dificuldade em aceitá-la sinceramente nas primeiras vezes, ela, com o tempo, virá a ser adotada...". Isso nos aponta sua provável origem.
Daí querer transferir para o outro esse processo assemelha-se à indução mental, a mais pura lavagem cerebral. Nem sempre aquilo que funciona pra você funcionará para o outro. Ainda mais quando tenta-se transformar coisas inverídicas em realidades aceitáveis, que combinada com a maldade e a má intenção dos humanos, manipulam a verdade a conta de suas pérfidas intenções. A preguiça de reflexão corrobora com tal vilania, pois aqueles que se dão ao trabalho de refletir pela coletividade, escravizam suas mentes usando sofismas semelhantes.
Para combater isso temos que, "Uma mentira é e sempre será mentira, mesmo que muitos estejam repetindo e acreditando nela, e uma verdade será sempre uma verdade, mesmo que muitos não acreditem nela". O fato de não acreditar em uma verdade, explica-se pela ação do ser humano, e da sua não aceitação, ou mesmo pelo fato de querer elevar suas ideologias acima dos fatos, ato de teimosia ou má intenção.
Vivemos tempos difíceis, a guerra constante entre a humanidade de um lado e a ética e a moral no front oposto. Assistimos e ouvimos todo o dia os maiores absurdos proferidos e cometidos por homens que estão à frente, e que portanto deveriam liderar e conduzir seus rebanhos, e que no entanto como vorazes lobos os oprimem e os abatem paulatinamente, trazendo ruínas, desespero e desesperança as sociedades. São cegos condutores de cegos. Que possamos pois, abrir os nossos olhos, porque já nos disse Platão: "...O castigo dos bons que não se interessam pela política é ser governados pelos maus que por ela se interessam...".
O bem põe fim ao caos, ao passo que o mal com ele se compraz. A verdade alia-se ao tempo que por fim, sempre a revela.
terça-feira, 2 de junho de 2015
O livre arbítrio e a imprensa livre
Uma informação relevante ao homem, é clara, objetiva, isenta de paixões e interesses que lhe corrompam o propósito. Esses são os princípios norteadores de uma imprensa livre e desinteressada.
Olhando por esse lado, a sociedade se pergunta hoje, que papel deveria desempenhar a imprensa no mundo moderno? A imprensa hoje tão envolvida com as questões políticas e sociais, movida por interesses partidários, que influenciam as sociedades com os pontos de vista pessoais de seus colunistas, deixando de ser apenas veículo, para exercer papel de condutora de dissenções sociais e políticas, papel aliás bem diverso de quando deixava ao cargo do livre arbítrio dos seus leitores, promoverem as ações pertinentes aos acontecimentos de maior vulto.
Pra quem discorda desse argumento, e acredita que essa imprensa nunca existiu, talvez não se recorde que escribas e copistas, sempre existiram em todas as épocas da humanidade desde que surgiu a escrita, e que portanto na sua crescente evolutiva, desempenharam papel de destaque nas comunidades, não só registrando a história, mas trazendo a tona a voz surda dos oprimidos e tentando abrir os olhos e ouvidos dos indiferentes. A máquina de Gutenberg, veio apenas tornar mais rápida a disseminação de pensamentos, acontecimentos sociais e científicos, mas deixando que o homem se posicionasse sempre em relação a questão exposta. A renascença e as reformas que o digam primeiramente, não fosse assim as 95 teses de Lutero, teriam morrido ainda nascituras.
Esse comportamento condutor na modernidade, segundo "Kundera", fez com que a imprensa sancionasse um "décimo primeiro mandamento", que "é o direito de exigir do interlocutor a verdade dos fatos", independente de sua vontade, suplantando por completo o seu livre arbítrio e seus direitos inalienáveis. Isso explica a multiplicidade de profissionais de todas as matizes, que hoje encontram-se alojados confortavelmente no seio da mídia, já que encontram campo nos interesses sociais mais diversos, transformando a imprensa de hoje em veículo da bisbilhotice social.
Inicialmente a imprensa marrom, era rechaçada pela imprensa dita "verdadeira", mas depois que os homens, principalmente os políticos, observaram os efeitos devastadores causados pela calúnia, abriu-se campo aos tabloides sensacionalistas, e hoje vejo uma imprensa recheada de cores e objetivos. Se a marrom calunia e difama, a rosa exalta e afama, e essas duas são ligadas diretamente a imagologia, já que uma denigre e depõe enquanto a outra enaltece e cultua o ícone social.
As imprensas azul, silver (prata) e golden (dourada) se confundem, já que querem passar ao leitor a ideia de um mundo feliz e harmonioso, se a primeira é comprometida por ideologia política, a segunda é aquela que se vende aos interesses políticos sem qualquer ideologia, enquanto a última quer apenas vender a imagem de mundo perfeito, mostrando ao público a opulência e a ostentação em que vive uma parcela bem pequena da sociedade, como se isso fosse o padrão, ignorando as dificuldades e os problemas infinitos da grande maioria, vivendo o verdadeiro mundo do faz de contas.
A vermelha apesar de estar bem próxima da realidade, no entanto afasta-se dos objetivos, porque tem no exagero a forma de comoção social; violências, revoltas, injustiças de um mundo que beira o caos e a anarquia, nada está bom, o mundo está eclodindo; não podemos ler suas páginas sem sair manchados de sangue ou mesmo em estado de puro desespero.
E por fim a imprensa branca, que tenta minimizar os efeitos nocivos que as outras cores, principalmente a vermelha causam nos seres, querendo apascentá-los, confortá-los e acenando com mensagens de paz, entendimento e paciência em um mundo de crescente horror e distonias sociais, com as promessas de um futuro venturoso para humanidade. Seu conteúdo político e social é brando, com a vertente do olhar sempre otimista.
E o repórter é mais um profissional dos inúmeros já conhecidos, que surgiu antes mesmo que o seu ofício adquirisse nome, e que portanto antes do modelo de prensa mecânica de Gutenberg no século XV, quantos não exerceram o ofício de repórteres na história? Como não lembrar dos primeiros registros de civilização rudimentares nas paredes de cavernas, trazendo seus costumes e culturas? Como esquecer os profetas que diziam-se portadores de revelações divinas? e do próprio Cristo, "...Eu vim da parte do Senhor...para anunciar a boa-nova aos pobres..." e depois "...ide e espalhai pelo mundo a boa nova...". E os navegadores e desbravadores? Todos fiéis seguidores e portadores dos princípios que norteiam a verdadeira imprensa.
E se toda informação é um direito, já que está ligada diretamente ao exercício do livre arbítrio de cada ser, e se a imprensa deve ser o seu fiel veículo, afim de que chegue ao homem isenta de qualquer ideia preconcebida, é também dever de todo o receptor compreende-la antes de quaisquer deliberações. Sendo assim, se a boa nova não foi compreendida; a história fora ignorada e os conteúdos atuais quando não são fúteis ou inverídicos e preconceituosos, causando mais digressão do que coesão nas sociedades, é porquê talvez ainda não saibamos usufruir da liberdade conquistada e tão pouco exercer nosso livre arbítrio, porquê as nações desde que conheceram as guerras, não as cessaram jamais. Hoje além dos conflitos religiosos, étnicos e ideológicos, vivemos também violento conflito moral, e a imprensa que tem hoje como máxima que "...em uma guerra, a primeira vítima é a verdade....", muito longe se encontra dos princípios que um dia nortearam o seu propósito.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Progresso ou Retrocesso, eis a questão!
O homem evoluiu e as leis que proclama e pratica são o reflexo de sua evolução, claro que ainda muito aquém do desejável. No tocante a esse aspecto evolutivo, vale ressaltar que o mundo evolui constantemente à sua volta, possibilitando o seu desenvolvimento. No decorrer dos evos a natureza deixou de lhe impor dificuldades fazendo com que brigue cada dia menos pela sua sobrevivência e desenvolva mais e mais as suas faculdades. E homem dando pouca demonstração evolutiva despendeu lamentavelmente para o lado ignominioso da guerra e da escravidão.
Durante séculos o homem se arrastou como lesma sobre superfície ensaboada, preso a preceitos religiosos equivocados e a preconceitos, principalmente raciais e nalgumas vezes sociais, pela pouca compreensão e respeito que tinha pelas diferenças humanas. E foi necessário que século iluminativo chegasse para o despertamento das consciências, e que mais adiante idéias luminosas lhe despertasse do torpor do escravismo e todas as suas distonias.
Os recém libertos agora, não podiam de uma para outra hora equiparar-se aos homens de bens e posses do mundo, tão pouco poderiam contar com a filantropia ou bonomia dos mesmos homens que foram obrigados a lhes conceder liberdade, sua sobrevivência a todo custo dependeria do próprio esforço, o que lhes restava era empregar suas forças naquilo que de antes obrigatório tornara-se facultativo, o trabalho. Mas esta nova relação ainda encontrava-se muito longe da justa, já que os escravistas de ontem criaram novas formas de cárcere, oferecendo insuficiente remuneração em contrapartida ao esforço necessário no desempenho da atividade laborativa, gerando dependência por parte dos trabalhadores, atando-lhes os pés a novos grilhões, seus agora patrões, oferecem-nos moradia e alimentação ainda abaixo de sua condignidade a valores acima de sua possibilidade. Endividado ao seu empregador enxergam-se sob uma escravidão sem castigos físicos, mas agora reféns por iniciativa própria da sua impossibilidade.
E esse comportamento ignóbil arrasta-se por prolongado tempo, até que as eclosões sociais influenciadas pelas idéias libertárias de rousseau e voltaire, que acerca de um século antes, influenciariam as revoluções, as independências de algumas nações, os movimentos abolicionistas, anarquistas, socialistas e comunistas, e que no seu ápice culminariam mais a frente nas grandes guerras. A revolta do proletariado ocorrida na Rússia preocupa as demais nações, portanto resolvem os chefes de Estado dar ouvido aos líderes das ideias sindicais, que desde o início do século XIX vinham se avolumando e se aproximando cada vez mais das inspirações comunistas. Os estadistas que não podiam controlar seu povo pela força, optaram pela criação das primeiras leis protetivas aos direitos dos trabalhadores, resguardando a estes direitos antes inimagináveis, inclusive coibindo a exploração de mulheres e crianças de jornadas desumanas, com isso abafando as revoltas e afastando o fantasma do comunismo.
E depois de quase quatro milênios de histórica escravidão, o homem enfim alcança a almejada liberdade pretendida pelos iluministas de outrora. Agora no entanto vemos nova crise mundial, onde poucas nações ainda insistem com um equivocado e falido regime comunista, apoiado pelas entidades de classe, que usam indevidamente o preceito da defesa dos direitos dos trabalhadores, conquistada à custo de muitas lutas e muito sangue, como moeda de troca política, com intuito nefasto de manter-se a todo custo no poder, praticando os mesmos princípios despóticos e arbitrários dos czaristas derrubados pela revolução proletária. O trabalhador que passa fome, vê nas ameaças desses governos amorais e nas bravatas de centrais sindicais a única forma de que essas conquistas protetoras e hoje muitas vezes paternalistas permaneçam intocadas.
Esses regimes socialista e comunista que apresentaram-se como grande oposição ao voraz capitalismo, se já dividiram o mundo em blocos, e portanto depois mostraram-se ineficazes no combate a um sistema "selvagem e explorador", denotando fraqueza na prática de seus princípios, causando imensas distonias entre sua linda ideologia estatutária e as pérfidas práticas de seus chefes de estado, remetendo-nos "aos dois mundos coexistentes de Platão", hoje encontram-se restritos a poucas faixas territoriais do orbe, e se o capitalismo teve que se reinventar para não sucumbir diante de tamanho clamor social, ainda encontra-se longe de ser ideal, porém coerente com seus princípios. Portanto as massas hoje encontram-se diante de espinhosa bifurcação, progresso ou retrocesso? Mas pergunta que não quer calar, quais desses sistemas encontram-se dentro do contexto de progresso?
Na pátria das chuteiras, onde tradicionalmente o progresso é retardatário, já que foi uma das últimas nações a aderir a revolução industrial e proclamar sua independência, e não fosse a intervenção dos seus chefes de estado muito tardia seriam também a consolidação das leis trabalhistas e a abolição, já que foi a última entre as nações independentes a proclama-la. E essa tradição que não possui só aspecto educacional, mas também cultural, recheada de estrangeirismos, pois fora acolhedora dos muitos exilados e perseguidos, durante as grandes guerras que encontraram aqui esteio, inclusive para as suas ideologias rechaçadas em outras paragens.
Esse acolhimento não trouxe somente benefícios, já que as deficiências educacional e instrutiva, aliada as faltas de identidade e nacionalismo, fizeram que se tornasse presa fácil para a aculturação. Anarquistas, fascistas, nazistas, socialistas, comunistas e inclusive representantes da burguesia predatória aportam as terras tupiniquins em busca de segunda oportunidade, trazendo consciências política e filosófica milenares. O resultado é visível, uma população sem seu DNA característico, pouco patriótica e sem identificação com suas cores e sua bandeira, movida apenas pelas frivolidades cada vez mais latentes, fincando seu tripé cultural, no samba, na praia e no futebol, única ocasião esta em que o cidadão equivocado, exacerba seu patriotismo, passando ao resto do mundo a imagem de uma nação acolhedora, frívola e sensualista. E a consciência política, fica por conta de quem dela se apodera.
E hoje reponta a discussão sobre a desatualizada e retrógrada CLT, criada há quase um século por Vargas a fim de conter o avanço dos ideais comunistas, contrapondo a modernidade do liberalismo contratual e produtivo americano atuais. Nova aculturação? A velha mania de copiar modelos de outras culturas? A livre concorrência, autonomias, terceirizações versus as garantias e direitos dos trabalhadores. De tudo o que foi exposto e vivenciado, se por um lado olhamos o processo predatório dos quais as classes trabalhadoras foram vítimas de poderes econômicos inescrupulosos, e entendemos a sua aversão a mudança, por outro olhamos as classes empregadoras também oprimidas hoje por um sistema tributário voraz e selvagem, que joga todo o peso sobre os ombros de quem gera emprego. Encargos cada vez mais altos, e desamparo completo pelas leis trabalhistas unilaterais e paternalistas que dão direitos amplos aos trabalhadores e os isentam das suas obrigações nas relações de trabalho, que deveriam ser bilaterais, e que no entanto os tribunais que julgam as dissensões dessa relação, quase sempre pendem a balança para o lado dos trabalhadores, alguns viciosos e indolentes. Fato gerador da informalidade do mercado, e de novos processos exploratórios chamados de terceirização da mão de obra.
E essa discussão, com todo esse contexto histórico, social, cultural e político não deve ser reduzida a simples discursos nas tribunas, palanques ou mesmo por trás dos microfones, e ser resolvida por congressistas de forma irrefletida e apressada, ainda mais que estes, depois de tantos escândalos de corrupção e desvios de dinheiro público, são vistos como meros representantes dos interesses que se dividem em três bancadas principais da questão em pauta, a dos empregadores, a dos trabalhadores e a dos leiloeiros, que nada mais são do que vendilhões dos templos da atualidade, que agora mercantilizam votos, que em meio a guerra de argumentações infundadas questionam: Quem nos dá mais?
Diante dessa questão "shakesperiana" progresso versus retrocesso, sem dúvida as leis trabalhistas precisam sofrer atualização, no entanto há muito a ser mudado, e para que tal alteração desse cunho não se configure de fato retrocesso, necessário se faz começar pelas reformas política, tributária e judiciária, mas pra que essas aconteçam urge uma reforma educacional, que possibilitará uma mudança cultural. Jamais haverá justiça onde não existe educação, principalmente a moral. Somente assim formaremos homens inimputáveis e incorruptíveis capazes de promover o bem social de forma desinteressada. Aproveitemos essa luz derramada sobre nós há três séculos, e façamos o justo uso dessa liberdade, principalmente a de pensar. Educação para todos essa deve ser a nossa bandeira!
Na pátria das chuteiras, onde tradicionalmente o progresso é retardatário, já que foi uma das últimas nações a aderir a revolução industrial e proclamar sua independência, e não fosse a intervenção dos seus chefes de estado muito tardia seriam também a consolidação das leis trabalhistas e a abolição, já que foi a última entre as nações independentes a proclama-la. E essa tradição que não possui só aspecto educacional, mas também cultural, recheada de estrangeirismos, pois fora acolhedora dos muitos exilados e perseguidos, durante as grandes guerras que encontraram aqui esteio, inclusive para as suas ideologias rechaçadas em outras paragens.
Esse acolhimento não trouxe somente benefícios, já que as deficiências educacional e instrutiva, aliada as faltas de identidade e nacionalismo, fizeram que se tornasse presa fácil para a aculturação. Anarquistas, fascistas, nazistas, socialistas, comunistas e inclusive representantes da burguesia predatória aportam as terras tupiniquins em busca de segunda oportunidade, trazendo consciências política e filosófica milenares. O resultado é visível, uma população sem seu DNA característico, pouco patriótica e sem identificação com suas cores e sua bandeira, movida apenas pelas frivolidades cada vez mais latentes, fincando seu tripé cultural, no samba, na praia e no futebol, única ocasião esta em que o cidadão equivocado, exacerba seu patriotismo, passando ao resto do mundo a imagem de uma nação acolhedora, frívola e sensualista. E a consciência política, fica por conta de quem dela se apodera.
E hoje reponta a discussão sobre a desatualizada e retrógrada CLT, criada há quase um século por Vargas a fim de conter o avanço dos ideais comunistas, contrapondo a modernidade do liberalismo contratual e produtivo americano atuais. Nova aculturação? A velha mania de copiar modelos de outras culturas? A livre concorrência, autonomias, terceirizações versus as garantias e direitos dos trabalhadores. De tudo o que foi exposto e vivenciado, se por um lado olhamos o processo predatório dos quais as classes trabalhadoras foram vítimas de poderes econômicos inescrupulosos, e entendemos a sua aversão a mudança, por outro olhamos as classes empregadoras também oprimidas hoje por um sistema tributário voraz e selvagem, que joga todo o peso sobre os ombros de quem gera emprego. Encargos cada vez mais altos, e desamparo completo pelas leis trabalhistas unilaterais e paternalistas que dão direitos amplos aos trabalhadores e os isentam das suas obrigações nas relações de trabalho, que deveriam ser bilaterais, e que no entanto os tribunais que julgam as dissensões dessa relação, quase sempre pendem a balança para o lado dos trabalhadores, alguns viciosos e indolentes. Fato gerador da informalidade do mercado, e de novos processos exploratórios chamados de terceirização da mão de obra.
E essa discussão, com todo esse contexto histórico, social, cultural e político não deve ser reduzida a simples discursos nas tribunas, palanques ou mesmo por trás dos microfones, e ser resolvida por congressistas de forma irrefletida e apressada, ainda mais que estes, depois de tantos escândalos de corrupção e desvios de dinheiro público, são vistos como meros representantes dos interesses que se dividem em três bancadas principais da questão em pauta, a dos empregadores, a dos trabalhadores e a dos leiloeiros, que nada mais são do que vendilhões dos templos da atualidade, que agora mercantilizam votos, que em meio a guerra de argumentações infundadas questionam: Quem nos dá mais?
Diante dessa questão "shakesperiana" progresso versus retrocesso, sem dúvida as leis trabalhistas precisam sofrer atualização, no entanto há muito a ser mudado, e para que tal alteração desse cunho não se configure de fato retrocesso, necessário se faz começar pelas reformas política, tributária e judiciária, mas pra que essas aconteçam urge uma reforma educacional, que possibilitará uma mudança cultural. Jamais haverá justiça onde não existe educação, principalmente a moral. Somente assim formaremos homens inimputáveis e incorruptíveis capazes de promover o bem social de forma desinteressada. Aproveitemos essa luz derramada sobre nós há três séculos, e façamos o justo uso dessa liberdade, principalmente a de pensar. Educação para todos essa deve ser a nossa bandeira!
terça-feira, 12 de maio de 2015
Evolução e atualidade.
Independente da crença individual de cada ser, no que diz respeito a origem humana, pois creiam uns que viemos dos símios, creiam outros que somos descendentes do unigênito Adão, ou creiam outros tantos que o princípio vital se estabeleceu nas águas mornas de um planeta ainda incandescente, na forma de microrganismos unicelulares, o ponto convergente e portanto notório nessa multiplicidade de sistemas, é que de lá pra cá o homem evoluiu. Seja na diminuição dos membros superiores e o consequente aumento dos inferiores, na correção da postura (homo erectus), na inteligência (homo sapiens), no sentido de família, comunidade, pátria, política, tendo como instrumentos diversos, o fogo, a escrita, a religião, a revolução industrial e por fim as tecnologias.
No entanto, apesar do sentimento religioso acompanhar o homem desde as mais priscas eras da humanidade, no aspecto moral ainda encontra-se muito aquém do desejável, já que a falta de fraternidade, a corrupção, a ganância e hediondez fazem-se presentes nos dias atuais. E aí nos perguntamos, se é verdade que evoluímos e portanto já deixamos o estado bruto dos longevos dias, época essa em que os seres se entredevoravam na busca irrefletida pela sobrevivência, porque conservamos ainda hoje o primarismo que deveria estar perdido na nossa trajetória evolutiva? Como explicar a banalização da violência nos dias atuais? Que prazer é esse que conservamos e manifestamos de menoscabar a hediondez da violência e de nos adaptarmos a ela?
Há um grande número de seres, que tem profunda adoração e deleitam-se com os mórbidos acontecimentos, que estampam as capas de jornais sensacionalistas, que tomam as redes sociais, onde fotos de restos mortais e corpos mutilados alimentam mentes doentias e desequilibradas, e esses "ditos" humanos assemelham-se cada vez mais às vorazes hienas e aos mitológicos vampiros da literatura e do cinema. E o mais estarrecedor é a capacidade que possuem de disseminar tal "cultura", seja no conto das estórias pré, durante e pós acontecimento, seja na riqueza de detalhes, que denota total desprezo pelas vítimas e a mais pura falta de humanidade.
Dessa cultura ignóbil que proclama e justifica a violência, recheada de uma bravura indômita, surgem "novos heróis" ou mesmo "anti heróis". Digo isso porque o homem ainda está longe de compreender a bravura e o heroísmo, pois ainda acredita que o herói é aquele que aniquila o inimigo comum, fazendo a miscelânea de heroísmo associado ao poder, e que o mocinho, que é a figura representativa do heroico, sempre vence o inimigo, na maioria das vezes pelo seu extermínio.
Essa fantasia mascara a verdade dos fatos, porque se o inimigo é todo aquele que oprime um ou mais indivíduos de uma coletividade, um Estado ou uma instituição que pune seu povo torna-se o vilão, porque estes confundem punição com condenação, ainda que tal sociedade, necessite de normas e leis rígidas, que insistem a todo o tempo em desrespeitar, tornando-se rebeldes. Nesse momento surgem os "Robin Hood's" pós modernos, disseminando uma cultura de rebeldia e transgressão "justificadas" como resposta a opressão, imiscuída de escabrosa inversão de valores, corroem as sociedades nas suas bases, dilaceram patrimônios cultivados com muito esforço pelos verdadeiros heróis da história, a cada dia mais esquecidos. E quantos não foram os heróis que nos deram mostras da sua genialidade? Quantos não são os que hoje nos dão mostras diárias de sua honra na luta pela sobrevivência e na criatividade desassistida pelas sociedades?
O heroísmo de que vos falo, não é dos valorosos homens de nações diversas, que tomaram armas para libertar seu povo dos tiranos na guerra, nem tão pouco refiro-me ao Cristo crucificado, da donzela de Lorena, Gandhi, Mandela, dos grandes descobridores e inventores, esses, sem sombra de dúvida, foram notáveis exemplos que devem ser seguidos em todas as épocas. Mas refiro-me aos grandes gênios anônimos de cada dia, que levantam-se mesmo antes do soar da alvorada, com a disposição de encarar trânsitos e transportes caóticos, as vezes com dupla jornada laborativa, para manter o sustento dos filhos, desdobrando-se por educá-los e mantê-los instruídos, e que em sua grande maioria sofrerão com o abandono e a ingratidão desses filhos ao fim de sua existência.
O heroísmo desses anônimos, reside no sentimento de que tudo fariam novamente, sem mudar uma única vírgula, porque compreenderam que tal como os notáveis heróis já citados, nasceram para plantar, sem ter qualquer pretexto de participarem da colheita. Não há nada de errado em participar somente da colheita, o que configura vilania, é não ter participado da semeadura, nem da colheita e tomar de assalto ou pelo emprego da força o trigo já separado do joio, atribuindo a si direitos que não faz jus, dando azo as falas irrefletidas de homens sem moral, causadores do colapso social, nos altos de palanques e tribunas ou mesmo por trás de microfones. Ter coragem, não é se esconder por trás de fuzis para demonstrar bravura, mas sim tornar da tosca madeira o cajado que servirá de apoio aos pés descalços, na travessia do imenso deserto cheio de pontiagudos obstáculos que separa o homem da sua evolução.
Heróis não matam pela causa, mas dão suas vidas por ela, isso é prova irrefutável de evolução.
Dessa cultura ignóbil que proclama e justifica a violência, recheada de uma bravura indômita, surgem "novos heróis" ou mesmo "anti heróis". Digo isso porque o homem ainda está longe de compreender a bravura e o heroísmo, pois ainda acredita que o herói é aquele que aniquila o inimigo comum, fazendo a miscelânea de heroísmo associado ao poder, e que o mocinho, que é a figura representativa do heroico, sempre vence o inimigo, na maioria das vezes pelo seu extermínio.
Essa fantasia mascara a verdade dos fatos, porque se o inimigo é todo aquele que oprime um ou mais indivíduos de uma coletividade, um Estado ou uma instituição que pune seu povo torna-se o vilão, porque estes confundem punição com condenação, ainda que tal sociedade, necessite de normas e leis rígidas, que insistem a todo o tempo em desrespeitar, tornando-se rebeldes. Nesse momento surgem os "Robin Hood's" pós modernos, disseminando uma cultura de rebeldia e transgressão "justificadas" como resposta a opressão, imiscuída de escabrosa inversão de valores, corroem as sociedades nas suas bases, dilaceram patrimônios cultivados com muito esforço pelos verdadeiros heróis da história, a cada dia mais esquecidos. E quantos não foram os heróis que nos deram mostras da sua genialidade? Quantos não são os que hoje nos dão mostras diárias de sua honra na luta pela sobrevivência e na criatividade desassistida pelas sociedades?
O heroísmo de que vos falo, não é dos valorosos homens de nações diversas, que tomaram armas para libertar seu povo dos tiranos na guerra, nem tão pouco refiro-me ao Cristo crucificado, da donzela de Lorena, Gandhi, Mandela, dos grandes descobridores e inventores, esses, sem sombra de dúvida, foram notáveis exemplos que devem ser seguidos em todas as épocas. Mas refiro-me aos grandes gênios anônimos de cada dia, que levantam-se mesmo antes do soar da alvorada, com a disposição de encarar trânsitos e transportes caóticos, as vezes com dupla jornada laborativa, para manter o sustento dos filhos, desdobrando-se por educá-los e mantê-los instruídos, e que em sua grande maioria sofrerão com o abandono e a ingratidão desses filhos ao fim de sua existência.
O heroísmo desses anônimos, reside no sentimento de que tudo fariam novamente, sem mudar uma única vírgula, porque compreenderam que tal como os notáveis heróis já citados, nasceram para plantar, sem ter qualquer pretexto de participarem da colheita. Não há nada de errado em participar somente da colheita, o que configura vilania, é não ter participado da semeadura, nem da colheita e tomar de assalto ou pelo emprego da força o trigo já separado do joio, atribuindo a si direitos que não faz jus, dando azo as falas irrefletidas de homens sem moral, causadores do colapso social, nos altos de palanques e tribunas ou mesmo por trás de microfones. Ter coragem, não é se esconder por trás de fuzis para demonstrar bravura, mas sim tornar da tosca madeira o cajado que servirá de apoio aos pés descalços, na travessia do imenso deserto cheio de pontiagudos obstáculos que separa o homem da sua evolução.
Heróis não matam pela causa, mas dão suas vidas por ela, isso é prova irrefutável de evolução.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
A existência e as dualidades
A partir daí inicia uma luta quase inglória contra o seu personalismo, que na mais das vezes pende a balança para o lado sombrio do seu psique, toda a vez que se deixa arrastar pelas suas fraquezas morais, e que portanto contrapesa nos momentos de extrema aflição e desespero para um comportamento mais pacato e condizente com o propósito divino, demonstrando gestos e atitudes, as vezes sublimes, diferindo por completo de sua personalidade habitual.
A medida que esse estado de aflição se acomoda ou mesmo dissipa, aquele "Homem Velho" ressurge com toda a sua vitalidade, retomando tudo do ponto de antes, acomodando-se no seu comportamento transgressor e ingrato, assim permanecendo nesse dualismo até que desperte ou não para a sua essência existencial, pois torna-se cada vez mais claro que, quando sua consciência não o conduz pelos caminhos do Amor, é pela força das coisas que desperta vez ou outra através do sofrimento.
Desde que começou a caminhar sobre a terra, o homem ainda não alcançou o sentido da beleza, pois ainda encarcerado à ilusão dos sentidos exteriores se permite capturar pelo esteriótipo, idealizado pelos padrões de beleza temporais das sociedades, que quase sempre mascaram a egolatria e a perfídia. Na dualidade beleza e fealdade, que não apenas se contrapõe mas se interpolam, coexistem como siamesas de costas uma para outra e que quase sempre quando penetramos uma à fundo a ponto de traspassa-la, nos deparamos inexplicavelmente com a outra.
Mas nem sempre a beleza é uma maldição, algumas criaturas dotadas de semblante angelical, possuem no íntimo, incognoscível formosura capaz de suplantar qualquer forma exterior, e é possível encontrarmos essa lindeza também em criaturas de afeadas fácies, que se torna imperceptível aos sentidos materiais de uma sociedade imiscuída de padrões preconcebidos de beleza, mas que apenas nos fere os sentidos, sem nos tocar a fundo. Quantos seres pela sua nobreza e bonomia se assemelham a figura literata e quase mitológica de "Quasímodo"? Essa figura emblemática e desfigurada que encantou a cobiçada "Esmeralda", portadora de rara beleza, que desprovida do preconceito que enceguece, enxergou a verdadeira beleza que nossos olhos materiais são incapazes de ver. Portanto não há regras, porque nem sempre o feio tem seu lado belo, tal como a beleza física ao contrário do que muitos professam, não é fundamental. É mister ser amorável, ter retidão de caráter e acima de tudo ser humilde.
Mas nem sempre a beleza é uma maldição, algumas criaturas dotadas de semblante angelical, possuem no íntimo, incognoscível formosura capaz de suplantar qualquer forma exterior, e é possível encontrarmos essa lindeza também em criaturas de afeadas fácies, que se torna imperceptível aos sentidos materiais de uma sociedade imiscuída de padrões preconcebidos de beleza, mas que apenas nos fere os sentidos, sem nos tocar a fundo. Quantos seres pela sua nobreza e bonomia se assemelham a figura literata e quase mitológica de "Quasímodo"? Essa figura emblemática e desfigurada que encantou a cobiçada "Esmeralda", portadora de rara beleza, que desprovida do preconceito que enceguece, enxergou a verdadeira beleza que nossos olhos materiais são incapazes de ver. Portanto não há regras, porque nem sempre o feio tem seu lado belo, tal como a beleza física ao contrário do que muitos professam, não é fundamental. É mister ser amorável, ter retidão de caráter e acima de tudo ser humilde.
Ah! O Homem e suas contrariedades existenciais, mesmo os que encontram-se afastados do "Bom" caminho, perquirem-se constantemente, e nesse torvelinho de pensamentos que o impulsiona na desenfreada busca das verdades da vida, apesar de estar frequentemente equivocado e apregoado ao mal proceder, pois resiste aos caracteres do homem de bem, transforma-o através do método experimental, da tentativa e erro, num ser melhorado a passos de cágado. Na busca da verdade, paradoxalmente utiliza-se da mentira, no culto à beleza enfeia-se no exagero e no preconceito, afasta-se frequentemente do bem pelo egoísmo do conforto material que o mal proporciona. Na tentativa de ludibriar não só o outro, mas a si mesmo, no imo do ser, sente reboar: Como podes querer descobrir e portar a verdade, entender o belo e praticar o bem que professas, se ainda não conheces a ti mesmo, e se ainda encontra-te atado a mentira, a vaidade e ao egoísmo. Liberta-te das paixões más, e segue amando.
sexta-feira, 1 de maio de 2015
A Religião e os religiosos
Deus no seu infinito Poder Criativo e Criador, deu origem ao universo e aos seres, no entanto, jamais criou ou fez alusão de criar religiões. Obra pura da necessidade humana, que no princípio, demonstra merecido reconhecimento a uma Inteligência Superior, que ao contemplar o infinito do espaço, ou mesmo sentindo os arroubos da natureza, percebe que sua humílima existência, é mero joguete das forças muito superiores a sua compreensão e aceitação.
Em dado momento histórico, essa criatividade transforma-se no que antes era a ponte que ligava o homem ao Ser Supremo, em objeto de suas vaidade, orgulho e egoísmo, passando a exercer um papel separatista e imiscuído de falsas ideologias, onde todo dissidente que não dobra a cerviz diante da maioria reinante e opressora, é anatematizado, perseguido e extirpado do convívio com as nações ditas não pagãs, e assim permanece até os dias atuais. É claro que na atualidade, os concílios de antes deixaram de ser tribunais inquisidores, e tornaram-se meras tribunas destinadas as conversações teológicas, e se as fogueiras e a excomunhão foram substituídas pelas execrações públicas nos palanques, preconceitos e indiferença, é porque as distensões ganharam novas formas aquilatadas pela moderna sociedade, e hoje o dito paganismo tornou-se o que nomeamos como "distorção da verdade".
Os grandes líderes do povo escolhido por Deus, por não compreenderem a Missão de Moisés, portador da Primeira Grande Revelação, perderam-se no orgulho, ganância e vaidade, e tentaram contaminar todas as nações mostrando o fruto de sua completa ignorância, aliando-se ao poder de Roma, para desdenhar e desmerecer o Novo Missionário Divino, portador da Segunda Grande Revelação, nação esta que lhes oprimia e de quem desejavam a todo custo se libertar, onde predominavam a força bruta e a soberba, apesar do seus altos níveis cultural e político. Mas como seu propósito era elevado, O Cristo não só nos reconecta à Divindade, como nos traz também uma nova mensagem cheia de amor, paz, renovação e esperança. E já no que antecede ao seu derradeiro momento, revela-nos sua breve partida e nos consola com a esperança de que jamais nos deixaria órfãos, e que sua obra teria continuidade adiante e encerra sua passagem deixando-nos a promessa de futura consolação.
A tão esperada e incompreendida revolução proposta por Jesus, que libertaria o homem do seu cárcere, não se faria através da espada, tão pouco da ignomínia da guerra, e sim pelo o amor, a paciência e a paz que são libertários inclusive do espírito. E séculos mais tarde, Gandhi aplica tais preceitos do Cristo libertando seu povo da escravidão, tanto física, quanto moral. E apesar da diferença entre os dois mensageiros ser gritante e quase infinita, mais pela grandeza do primeiro do que pela pequenez do segundo, foram os seus interlocutores que fizeram a diferença possibilitando ou não o êxito, já que os primeiros julgavam-se possuidores da verdade, enquanto que os segundos foram fiéis portadores da fé.
E assim é a humanidade, assim são os religiosos de todos os credos e de todos os tempos, principalmente os da atualidade, pois ainda contaminados pelo orgulho, digladiam-se, anatematizam-se pretextando serem os portadores da verdade, esquecendo que a religião que os conecta a Suprema Verdade, que é Deus, nos recomenda a sua eterna busca, pois somente assim se libertarão.
E afinal o que é a verdade? Se nem o Cristo que possui grande autoridade outorgada pelo Pai Supremo, e que assim proclamou-se ser o Caminho, a Verdade e a Vida, ousou tentar dimensiona-la e retirar o véu sobre a nossa ignorância de limitadas faculdades e preferiu calar-se, a tentar esclarecer Pilatos. Se nem a Suprema personificação do Bem ousou faze-lo. Quem somos nós afinal?
A verdade sobre a verdade, é que quanto mais nos aproximamos dela, mais consciência temos que muito distantes ainda nos encontramos, e que portanto ao passo que a religião nos conecta a Suprema inteligência do Criador, em contrapartida os infiéis religiosos de todos os tempos e templos são os responsáveis pela ruptura do elo entre Deus e as criaturas.
A tão esperada e incompreendida revolução proposta por Jesus, que libertaria o homem do seu cárcere, não se faria através da espada, tão pouco da ignomínia da guerra, e sim pelo o amor, a paciência e a paz que são libertários inclusive do espírito. E séculos mais tarde, Gandhi aplica tais preceitos do Cristo libertando seu povo da escravidão, tanto física, quanto moral. E apesar da diferença entre os dois mensageiros ser gritante e quase infinita, mais pela grandeza do primeiro do que pela pequenez do segundo, foram os seus interlocutores que fizeram a diferença possibilitando ou não o êxito, já que os primeiros julgavam-se possuidores da verdade, enquanto que os segundos foram fiéis portadores da fé.
E assim é a humanidade, assim são os religiosos de todos os credos e de todos os tempos, principalmente os da atualidade, pois ainda contaminados pelo orgulho, digladiam-se, anatematizam-se pretextando serem os portadores da verdade, esquecendo que a religião que os conecta a Suprema Verdade, que é Deus, nos recomenda a sua eterna busca, pois somente assim se libertarão.
E afinal o que é a verdade? Se nem o Cristo que possui grande autoridade outorgada pelo Pai Supremo, e que assim proclamou-se ser o Caminho, a Verdade e a Vida, ousou tentar dimensiona-la e retirar o véu sobre a nossa ignorância de limitadas faculdades e preferiu calar-se, a tentar esclarecer Pilatos. Se nem a Suprema personificação do Bem ousou faze-lo. Quem somos nós afinal?
A verdade sobre a verdade, é que quanto mais nos aproximamos dela, mais consciência temos que muito distantes ainda nos encontramos, e que portanto ao passo que a religião nos conecta a Suprema inteligência do Criador, em contrapartida os infiéis religiosos de todos os tempos e templos são os responsáveis pela ruptura do elo entre Deus e as criaturas.
domingo, 26 de abril de 2015
O Corcel Desembestado
Frequentemente observamos, acontecimentos que tomam as atenções da mídia e de um público, cada vez mais sedento de informações, sejam elas verídicas ou inverídicas, completas ou não, afinal o que importa isso? Já tentaste dizer a quem tem sede, se a água que sorve no ato do seu desespero, vem de fonte pura, salobra ou cujo o lençol se encontra amplamente contaminado? Provavelmente, sua mente focada na supressão daquela necessidade, nem registrará a sua observação. Nesse exato momento, em que a razão é substituída pelo instinto de sobrevivência, não atentamos para os perigos ocultos, e as consequências que poderemos enfrentar a seguir. Os acontecimentos futuros serão fruto do nosso desequilíbrio e invigilância, e esse enceguecimento, é o efeito da mais pura paixão humana, cujas causas residem sempre no egoísmo e no orgulho, que aninhados como siameses chafurdam a humanidade a séculos.
Toda vez que deixamos a razão de lado e nos entregamos ao governo dos instintos, abrimos caminho para as paixões, principalmente as más. E se o instinto de preservação, nos foi benéfico na infância, a partir da adolescência deverá ser lentamente substituído pelo crivo da razão, e que na juventude e na fase adulta da existência, passamos a coexistir a dualidade "Razão e Sensibilidade", até atingir a sonhada maturidade, e nos tornarmos permanentemente razão, deixando dormitar nossos primitivos instintos.
Quando não nos preocupamos com a origem e a finalidade das informações que buscamos freneticamente, estamos sendo levados por essas duas más paixões, e pior ainda, quando as disseminamos de forma irresponsável com a mais leviana capacidade de síntese, não só esquecendo "As três peneiras" de Sócrates, mas atropelando o direito a privacidade e o direito amplo de defesa do outro, esquecendo que o direito que você "acha que possui" de saber e conhecer os fatos contrapõe-se ao direito que as pessoas têm de não verem expostas as suas vidas privadas.
Toda vez que deixamos a razão de lado e nos entregamos ao governo dos instintos, abrimos caminho para as paixões, principalmente as más. E se o instinto de preservação, nos foi benéfico na infância, a partir da adolescência deverá ser lentamente substituído pelo crivo da razão, e que na juventude e na fase adulta da existência, passamos a coexistir a dualidade "Razão e Sensibilidade", até atingir a sonhada maturidade, e nos tornarmos permanentemente razão, deixando dormitar nossos primitivos instintos.
Quando não nos preocupamos com a origem e a finalidade das informações que buscamos freneticamente, estamos sendo levados por essas duas más paixões, e pior ainda, quando as disseminamos de forma irresponsável com a mais leviana capacidade de síntese, não só esquecendo "As três peneiras" de Sócrates, mas atropelando o direito a privacidade e o direito amplo de defesa do outro, esquecendo que o direito que você "acha que possui" de saber e conhecer os fatos contrapõe-se ao direito que as pessoas têm de não verem expostas as suas vidas privadas.
Allan Kardec, sábio do século XIX, Filósofo, Educador e Codificador da Doutrina Espírita, referia-se a paixão, como um corcel, que se domado e com rédeas justas e firmes, seria benéfica e aliada do homem, a fim de impulsiona-lo ao progresso, retira-lo do estacionário trazendo por consequência avanço à humanidade. Em contrapartida, longas e frouxas essas amarras ou mesmo inexistentes, o corcel seria indomável, inconsequente, imprevisível e por fim incontrolável, porque esse comportamento é inerente a sua natureza. No seu íntimo e nos seus instintos mais primitivos, entende a liberdade como condição básica a sua existência, não permitindo o encarceramento. Assim é a paixão, se não for lapidada, submetida à razão, torna-se tresloucada, desmedida e perigosa.
Kardec portanto, subdividia a paixão em dois estágios, pois a entendia como pedra preciosa, que do estado bruto a lapidação deveríamos empreender grande esforço próprio. Sabia que a negligência nesse esforço poderia nos ser de grande prejuízo. E quantos não foram os homens de gênio que ao dominar parcialmente ou na totalidade suas vigorosas paixões, criaram, descobriram e por fim realizaram, tornando-se grandes vultos e grandes precursores da humanidade, e que outros tantos perderam-se entre os escombros dos desastres causados pelos seus personalismos doentios, deixaram-se guiar pelo egoísmo, orgulho, ganância, vaidade e inveja. O personalismo humano é como um cavalo chucro, necessita ser domado, caso contrário correrá sempre desembestado. O homem vem ao mundo com sua personalidade embrutecida cabendo a seus pais a primeira fase de sua lapidação, reservando ao indivíduo o restante da tarefa no autoburilamento.
Exemplos numerosos tivemos da negligência humana, sendo o mais recente que me vem a memória, a morte da Princesa Diana, que perseguida por "paparazzi" sofreu violento acidente dentro de túnel que ligava a França à Inglaterra, acabando por ceifar sua curta existência. Tudo para alimentar tablóides sensacionalistas, que tem por finalidade alimentar a nossa fome de informação. Informação essa que não traria nada de construtivo a humanidade, somente alimentaria a egolatria, idolatria e imagologia sociais.
É comum na área criminal, vermos a segurança pública, na busca desenfreada de dar uma rápida resposta a sociedade, ceder a pressão da opinião pública, leia-se imprensa, acusar inocentes e apresenta-los precipitadamente a uma mídia e população sedentos de sangue. Enquanto isso o verdadeiro culpado se distancia da justiça amparado pela cortina de fumaça que a ignorância coletiva joga sobre os fatos. Mais uma vez somos nós os culpados, que com a nossa pressa de viver, fazer e conhecer reservamos pouco tempo da nossa vida para meditar, observar e esperar. Esquecemos que Deus não levou apenas 5 dias para criar a nossa morada, mas 5 bilhões de anos, e que somente há alguns milhares de anos surgimos, e portanto fomos os últimos a chegar num mundo perfeito, mas como nos encontramos ainda longe da perfeição, pois fomos criados simples e ignorantes e depois de todo esse tempo em constante evolução, nada justifica que permaneçamos ainda egoístas e orgulhosos.
Kardec portanto, subdividia a paixão em dois estágios, pois a entendia como pedra preciosa, que do estado bruto a lapidação deveríamos empreender grande esforço próprio. Sabia que a negligência nesse esforço poderia nos ser de grande prejuízo. E quantos não foram os homens de gênio que ao dominar parcialmente ou na totalidade suas vigorosas paixões, criaram, descobriram e por fim realizaram, tornando-se grandes vultos e grandes precursores da humanidade, e que outros tantos perderam-se entre os escombros dos desastres causados pelos seus personalismos doentios, deixaram-se guiar pelo egoísmo, orgulho, ganância, vaidade e inveja. O personalismo humano é como um cavalo chucro, necessita ser domado, caso contrário correrá sempre desembestado. O homem vem ao mundo com sua personalidade embrutecida cabendo a seus pais a primeira fase de sua lapidação, reservando ao indivíduo o restante da tarefa no autoburilamento.
Exemplos numerosos tivemos da negligência humana, sendo o mais recente que me vem a memória, a morte da Princesa Diana, que perseguida por "paparazzi" sofreu violento acidente dentro de túnel que ligava a França à Inglaterra, acabando por ceifar sua curta existência. Tudo para alimentar tablóides sensacionalistas, que tem por finalidade alimentar a nossa fome de informação. Informação essa que não traria nada de construtivo a humanidade, somente alimentaria a egolatria, idolatria e imagologia sociais.
É comum na área criminal, vermos a segurança pública, na busca desenfreada de dar uma rápida resposta a sociedade, ceder a pressão da opinião pública, leia-se imprensa, acusar inocentes e apresenta-los precipitadamente a uma mídia e população sedentos de sangue. Enquanto isso o verdadeiro culpado se distancia da justiça amparado pela cortina de fumaça que a ignorância coletiva joga sobre os fatos. Mais uma vez somos nós os culpados, que com a nossa pressa de viver, fazer e conhecer reservamos pouco tempo da nossa vida para meditar, observar e esperar. Esquecemos que Deus não levou apenas 5 dias para criar a nossa morada, mas 5 bilhões de anos, e que somente há alguns milhares de anos surgimos, e portanto fomos os últimos a chegar num mundo perfeito, mas como nos encontramos ainda longe da perfeição, pois fomos criados simples e ignorantes e depois de todo esse tempo em constante evolução, nada justifica que permaneçamos ainda egoístas e orgulhosos.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Comunidade, Identidade e Estabilidade
Quem já se deparou com estas três palavras, e se sabe que as mesmas formam um lema, uma meta. É porque já esteve diante da mais eminente e mais famosa obra de Aldus Huxley. Mais do que um simples lema, tais palavras representavam no seu sentido mais amplo, o futuro da humanidade, formando uma sociedade alienada, condicionada desde sua fase embrionária, governada por seres sem moral e sem sentimento, que por trás de sua bondade aparente, dissimulavam ambição e desejo de poder. Sempre o mesmo, no discurso do tudo pela felicidade, pela harmonia e pela paz, puro eufemismo encobrindo o orgulho, o egoísmo e a vaidade.
Na referida obra de Huxley, classificada como ficção científica, onde o autor nos dá o seu ponto de vista para o futuro em que convergia a humanidade, porque já a observava adoentada, perdida em discussões filosóficas e científicas estéreis, utiliza o avanço da ciência, em particular a medicina no que diz respeito a genética, aliada a teoria administrativa de Ford, para impregnar sua história e formar uma sociedade feliz e promissora, claro que, aos olhos da ciência materialista e de um mundo envenenado pelos regimes totalitários, que se sucediam em várias partes do planeta.
Nesse mundo perfeito, onde não havia mais espaço para a filosofia, ciência, religião, liberdade de expressão e pensamento, em que toda a sabedoria, a história e Deus perderam espaço nas consciências. Mundo esse, em que a imortalidade da alma fora esquecida e substituída pela promessa da longevidade juvenil, onde a fuga da realidade era constante e qualquer indício de sentimento e paixão eram imediatamente substituídos por alucinógenos potentes.
E tudo isso só era possível, graças ao virtuosismo da revolucionária ciência genética, que não só produzia os seres em castas socialmente condicionadas desde a sua fase embrionária, mas atuava de forma condicionante no indivíduo também na sua tenra idade, utilizando técnicas hipnopédicas alienantes, praticando a mais pura lavagem cerebral, inserindo mensagens cheias de moral distorcida, dogmatizada por aforismos vazios.
O resultado, uma sociedade pacífica, incapaz de questionar, feliz de uma felicidade vazia, sem noção, sem contexto, sem sentimento. Uma sociedade onde formar família era uma imoralidade, onde não existiam pais, já que todos eram resultados de fecundação in vitro, não haviam relações afetivas, já que todos pertenciam a todos, numa ética e moral distorcidas, não existia ciúmes e nem traições, nem crimes, nem cobiças.
Orgulhavam-se disso, pois foram condicionados a subtrair a realidade com cápsulas de entorpecentes para viver no mais perfeito dos mundos onde as relações de afeto eram puro retrocesso e as drogas eram as libertárias do espírito, tudo em busca de uma pseudo liberdade. Acontece que nessa liberdade vigiada, mal conseguiam perceber o cárcere, já que viviam acorrentados a uma ortodoxia, travestida de prosperidade, pois o mal que dormitava em cada ser, era dispersado ora pelo torpor, ora por gritos de ordem que ecoavam em mentes vazias, doutrinadas a fugir do auto domínio, buscando sempre outra realidade aceitável, dentro de padrões ético e moral fugazes.
É estranho observar esta obra, grafada como ficção científica pura, e que portanto o era de fato, já que fora compilada em 1931, antes mesmo até da segunda guerra mundial. Mas o mais estranho, é que essa ficção exposta, olhando bem, está muito próxima da nossa atualidade. Louco? Visionário? Como pôde com seu pouquíssimo tempo, que andou sobre a terra, ter visto pra onde a civilização se encaminhava a passos largos? Simples explicar, porque apesar de novos fatos, tecnologias, novas formas e técnicas de dissimulação, aquele “Homem Velho” e imortal ainda reside em nós. Todo instrumento de fuga, é apenas retardatário, e não há fórmulas mágicas, não há milagres, aliás permita-me, existe sim o milagre, mas em cada nova existência reparadora, há o milagre da reforma, isso mesmo, nada como encarar os “Bons e Velhos Problemas de Sempre”.
Vemos
hoje, crianças consumirem e serem consumidas pelo alcool e pelas drogas, cada
vez mais pesadas, cada vez mais cedo com a participação direta ou indireta dos
governos, seja pela política de descriminalização, seja pela falha na batalha
contra o narcotráfico, já que a falta de empenho, com leis brandas e a
corrupção se tornam verdadeiros "fogo amigo" contra aqueles que estão
na linha de frente do combate e que representam o interesse da sociedade nessa
guerra. Vemos as crianças, serem condicionadas, com apologias ao sexo e a
violência, desde cedo, sem mesmo até terem consciência do que significam, seja
através de desenhos, músicas, filmes, novelas e até mesmo no convívio doméstico
e institucional, já que tanto no lar, com as desestruturas familiares, onde a
moral, a ética e os bons exemplos passam longe, quanto nas escolas que sempre
foram a extensão do lar, têm reforçado esse condicionamento doentio, tanto no
convívio com seus pares, quanto com aqueles que deveriam corrigi-los e
prepará-los para a vida.
A
humanidade também foge, se escondendo atrás de ortodoxias religiosas, alguns
chegam a criticar as escrituras, que foram compiladas desde o século III até o
século XVI da nossa era, depois de tantas correções, exclusões, revisões e
inserções o seu cunho moral ainda está intacto, e que o homem continua errando
séculos após séculos, ao insistir na sua interpretação pela forma literal,
distorcendo tudo ao seu gosto e adaptando à sua visão obtusa, chegando ao
extremismo, a perseguição e ao ódio.
Não
podemos culpar somente a modernidade pelo estrago, mas também o descaso de uma
sociedade que se acomodou no conforto, na falta de tempo. Também não podemos e
nem devemos atirar pedras nos pais, que vivem uma vida paradoxal, entre o
sustento e a dedicação aos filhos.
Aí você concluirá que a culpa deve recair sobre os governantes, sobre a situação do
mundo e sua administração moderna e seus fatores condicionantes, erro! Erro
porque na verdade, o erro está em nós, pois podemos ter sim o conforto, as
tecnologias, a fertilização in vitro, mas que seja para àqueles que não podem
conceber pelas vias normais, e que essas técnicas não devem ser substituídas
nunca, pela preguiça e falta de coragem de criar filhos imperfeitos, não
devemos prescindir o esforço próprio e querer criar seres perfeitos, nos
poupando o trabalho.
Isso mesmo! A culpa é
nossa, nós nos acondicionamos, nos rendemos à preguiça e a covardia. Tudo isso
tem um preço, falta muito pouco para chegarmos no estágio do “Admirável Mundo
Novo" de Huxley. Usemos a nossa liberdade de consciência para dar um basta
neste “avanço”, quando não estamos andando de lado, estamos caminhando de
costas, para frente, mas de costas, mais sujeitos a tropeços, do que se tivéssemos
virados de frente, onde poderíamos antever obstáculos e passar por eles com
desenvoltura e desembaraço, no mais, seguimos como diz Zé Ramalho, em sua
música "Admirável Gado Novo", Ehhhhh eohhhhhh vida de gado, povo
marcado ehhh, povo feliz.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Reformar é preciso, resistir, um tanto quanto.
Muito ouvimos na
evocação das massas, o direito inequívoco à manifestação.
Direito esse lícito, intrínseco, no entanto limitado em se
constitucionalmente falando, já que o limite da liberdade de cada
um, reside exatamente na região limítrofe do interesse comum.
No momento de
exacerbação, momento este em que "nos deixamos" levar por situações
alheias a nossa vontade, e que portanto nos fogem do controle a
razão, ferimos moral e mortalmente o pretenso bem comum. E é então
que percebemos o quão limitado é o nosso sentido de justiça,
contraposto ao sentimento que nos move para ele de forma colossal,
num movimento que beira a irracionalidade.
Constantemente nos
pegamos estarrecidos e absortos em divagações, quando ouvimos
certas melodias que ao tempo que nos fincam os objetivos, tornam
libertários os ideais, e assim "caminhando e cantando, seguindo
a canção", para descobrir enfim, "que país é este",
e tentar se desvincular da imagem de massa de manobra, pois
freneticamente o "povo foge da Ignorância, apesar de viver tão
perto dela". Tanto é que ainda se deixa manobrar por pessoas
sem moral e de voz rouquenha, que pregam preconceitos e divisão de
classe social em pleno século XXI, justamente à uma Nação que foi construída
com o DNA miscigenado de quase todas as nações, o que portanto, não
encontra qualquer fundamento. E se todo esse preconceito e essas diferenças
sociais gritantes ainda existem, que recaia a culpa sobre a nossa
classe política principalmente, mas saibamos também e reconheçamos
a parte que nos cabe neste latifúndio.
Assim como os tratores
avançam sobre as matas, destruindo e degradando de forma brutal uma indefesa
natureza, ultrapassamos constantemente, as vezes sem perceber, o
cercado que nos limita sobre o direito alheio, tão consagrado na
Magna Carta, e que portanto carregamos sob as axilas, afim de nos
protegermos dos grileiros do direito. E esse comportamento, não está
restrito somente aos imorais contumazes, pois nós, os ditos
ilibados, nos escoramos nas máximas populistas para transgredir as
mesmas Leis que invocamos contra o outro, na defesa mesquinha de
nossos interesses pessoais. Esse comportamento não é inerente a
nenhuma classe social exclusivamente, pertence ao ser, que
independente de ser abastado ou não, de possuir ou não o intelecto
desenvolvido, reverbera a ignorância latente do seu personalismo,
carregado de egoísmo, vaidade e orgulho.
Chega ser engraçado,
para não dizer paradoxal, ver o cidadão do alto de sua revolta,
repetir os versos de uma música e ser acompanhado por uma multidão
aos gritos durante a madrugada em um bar, que nos diz: "Ninguém
respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação.
Que país é este? Que país é este?" Aí eu pergunto: Como? Se
nem a voz que se levanta, "em nome da ordem" respeita a constituição, ferindo o
sagrado direito daqueles que cedo madrugam, que portanto necessitam
do merecido repouso, e que vêem a sagrada Lei do silêncio ser
transgredida por uma turba enfurecida e bulhenta.
Ver cidadãos se
contrapor de forma violenta contra uma manifestação pacífica, a
ponto de agredi-los, usando palavras de ordem que mais se assemelham
a uma marcha nazi-fascista, dizendo defender os interesses
democráticos da nação. Como? Onde reside a democracia, quando você
tenta calar a voz alheia ou mesmo abafa-la, a pretexto de proclamar
seus interesses pessoais ou mesmo da instituição que representa?
Será que vale tudo a ponto de se defender um ideal? Vale mentir?
Vale ofender? Injustiçar? Condenar? Matar? Quando nos apoiamos na
máxima: "Os fins justificam os meios", abrimos o caminho
para a injustiça e iniquidade, pois neste momento a corrupção e a violência se
aconchegarão no seio da sociedade.
Em uma Nação sem
moral, dita democrática, onde as práticas de corrupção são
rotineiras, vive-se na verdade a Ditadura da "Demagocracia"
ou Ditadura da maioria. Pois o nefasto jogo do poder político,
apoia-se no populismo, e na satisfação das pequenas necessidades. A
maioria do povo mantido numa espécie de cabresto cultural, acaba por
perpetuar demagogos pseudo idealistas, que alimentam constantemente
as mentes, tais como vasos de barro sempre vazios, com suas flores
retóricas. E quanto àqueles que se encontram alijados no lado
oprimido da Demagocracia, podem assim sintetizar o seu sentimento: "O
meu partido é um coração partido, minhas ilusões estão todas
perdidas, os meus sonhos, foram todos vendidos, tão barato que eu
nem acredito, eu nem acredito, que aquele garoto que ia mudar o
mundo, assiste agora a tudo em cima do muro, meus heróis morreram de overdose e os meus inimigos, estão no poder. Ideologia, eu quero uma pra viver".
Deixemos pois, de
hipocrisia, todos sabemos que a doença que assola a humanidade, e
que a mantém retida no estacionário moral, é a corrupção. Que há
muito deixou de ser puramente infecciosa, e que já passou da fase de
pandemia, e hoje já se tornou uma anomalia genética, aliás digo, o
cromossomo defeituoso está naquele que não apresenta traços de
corrupção. E a recessividade desse indivíduo, lhe trará grandes
dissabores, já que será discriminado pela grande contingência dos
ditos normais, que trazem incrustados no seu genoma o alelo da
corrupção, perpetuando a injustiça, o caos social e o consequente
atropelamento do direito comum.
Para romper essa
desestrutura milenar, incorporada ao ser da humanidade, precisamos
combate-la já a partir dos nascituros, pois tão logo tomem de
assalto ou pela força o brinquedo alheio, que sejam duramente
repreendidos, no entanto com a total ausência da violência, pois
somente o amor é capaz de educar o indivíduo profundamente,
realizando incisões cirúrgicas no caráter sem deixar quaisquer
cicatrizes na alma. Os valores distorcidos e retorcidos nas máximas populares,
como "Quem não cola não sai da escola", "Honestidade
não enche bolso nem barriga", "Se a farinha é pouca, o
meu pirão primeiro", "É melhor um pássaro na mão do que
dois voando", devem ser extirpadas e completamente
esquecidas. A lei da vantagem e do jeitinho, que na verdade mascaram
a corrupção utilizando-se do mais puro eufemismo, devem ficar arquivadas apenas como más referências bibliográficas na história da humanidade. E essa cultura de
trocar voto por pequenas vantagens, reside no passado delituoso das
crianças, que tiveram afagos contemporizadores ao invés das
merecidas reprimendas, afim de conter as suas traquinagens e seus "maus
feitos". "Quem me dera ao menos uma vez, que o mais simples fosse visto como o mais importante, acreditar que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são felizes. Mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente".
E a questão que reboa
neste momento é: estará você disposto a abrir mão dos seus
interesses pessoais em prol de algo maior? Poderá deixar a sua zona
de conforto para lutar com convicção pela causa alheia? Estará
apto a defender a reforma agrária mesmo sendo grande latifundiário?
É capaz de dar mais do que receber? Seja coerente com as suas
cobranças ao outro, pois toda mudança acontece de dentro para fora.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Ter Cinquenta
Viver
aos cinquenta,
É ter retratado no tom de cinza das fotos,
O colorido da vida.
É preparar com muito amor,
O “gran finale” dos palcos sob aplausos,
A breve despedida.
Chegar aos cinquenta,
É cantar árias ao tempo,
Reviver chegadas e partidas,
E suplantar a dor com a alegria.
Coexistir o sentimento e a razão,
E não dar vazão ao sofrimento,
Mas sorrir de nostalgia.
Encontrar-se aos cinquenta,
Não é chegar a metade do caminho,
É trazer no corpo a tatuagem do tempo.
É Perdoar da juventude o desperdício,
E valorizar cada segundo como se fosse um dia,
Na velocidade lenta para eternizar cada momento.
Ter cinquenta por fim,
É viver na certeza,
Que errou quando se era permitido,
E se acertou foi porque viu com clareza,
Que a vida lhe proporcionou enfim,
O que era pra ser vivido.
Ter cinquenta neste exato momento,
É ter prudência e paciência,
Afim de ludibriar o tempo,
E gozar do que nos oferece a vida,
Com toda a sua opulência,
Sem qualquer tormento.
Ultrapassar os cinquenta,
É querer distanciar-se dos cem,
E aproximar-se dos vinte.
Com a maturidade de hoje,
E a leveza de antes,
É desejar palestrar mais que ser ouvinte.
Ser cinquenta é ter vivido metade o antes e querer viver o agora em dobro.
É ter retratado no tom de cinza das fotos,
O colorido da vida.
É preparar com muito amor,
O “gran finale” dos palcos sob aplausos,
A breve despedida.
Chegar aos cinquenta,
É cantar árias ao tempo,
Reviver chegadas e partidas,
E suplantar a dor com a alegria.
Coexistir o sentimento e a razão,
E não dar vazão ao sofrimento,
Mas sorrir de nostalgia.
Encontrar-se aos cinquenta,
Não é chegar a metade do caminho,
É trazer no corpo a tatuagem do tempo.
É Perdoar da juventude o desperdício,
E valorizar cada segundo como se fosse um dia,
Na velocidade lenta para eternizar cada momento.
Ter cinquenta por fim,
É viver na certeza,
Que errou quando se era permitido,
E se acertou foi porque viu com clareza,
Que a vida lhe proporcionou enfim,
O que era pra ser vivido.
Ter cinquenta neste exato momento,
É ter prudência e paciência,
Afim de ludibriar o tempo,
E gozar do que nos oferece a vida,
Com toda a sua opulência,
Sem qualquer tormento.
Ultrapassar os cinquenta,
É querer distanciar-se dos cem,
E aproximar-se dos vinte.
Com a maturidade de hoje,
E a leveza de antes,
É desejar palestrar mais que ser ouvinte.
Ser cinquenta é ter vivido metade o antes e querer viver o agora em dobro.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
A Imagologia e o lado oculto da moeda
Na hodierna sociedade, muito valoramos a opinião alheia a nosso respeito. No entanto, esquecemos de pautar a vida naquilo que é realmente essencial, no que transcenderá a nossa curta existência material. Enquanto cultuamos a imagem que nos foi imposta pela sociedade, tentando coexistir o rascunho, o esboço de nossa personalidade, com a pintura ou caricatura que mais preencha o vazio existencial da nossa cultura hipócrita, de horizonte cada vez mais tangível, perdemos de vista o caminho e sentido, carregando até o fim dos dias um intenso e imenso vazio na alma.
Essa coexistência, na mais das vezes, é o reflexo do ser humano e o seu desejo incontido de ser reconhecido, ser admirado, ser aceito por uma sociedade, que a cada dia elege um novo ícone social, criando esteriótipos variados, afim de preencher os vazios de uma sociedade sem perspectiva e satisfazer os imagólogos de plantão. Por conhecer o seu verdadeiro "eu", ID segundo a psicologia, o ser quer oculta-lo dos seus pares, com receio da não aceitação, enquadra-se, anula-se nos modelos preconcebidos.
Imaginemos alguns indivíduos, e suas histórias pessoais.
Homem maduro, empresário bem sucedido, pai de família, austero, conduta irretocável, porém infeliz. Administra sua vida profissional e pessoal da mesma forma, manifestando constantemente o desejo de que seus filhos tornem-se ou médicos ou advogados ou empresários brilhantes e bem sucedidos como o pai, não aceitando quaisquer outras opções profissionais na vida dos seus filhos, além das que lhes ofereceu. Mesmo que os seus filhos sigam a risca a sua determinação, a médio ou longo prazo, a infelicidade lhe baterá a porta.
Uma jovem, bela, inteligente, de família de classe média, formada, com pouco mais de 20 anos, de casamento marcado, bem empregada no ramo da gastronomia, e que durante uma das provas do seu vestido, em companhia de sua mãe, avó, prima e irmãs, sendo uma delas grávida aos 16 anos, e outra mãe de 2 crianças, fazem graça e apostam quantos filhos a futura noiva trará ao mundo, já que sua avó foi mãe de 8 filhos e sua prima já possui 3 rebentos. Apesar da aparente felicidade durante a frívola conversa, nossa jovem vez ou outra deixa transparecer certa amargura, e divaga em pensamentos demonstrado por um melancólico olhar no infinito.
O pacato rapaz do interior, de poucas posses, difícil vida no campo, simplicidade na aparência, no andar e nos gestos, ingressado na cadeira de engenheiro agrônomo na cidade grande, que enxerga no futuro o conforto, a felicidade e a prosperidade nos negócios da família, que se alegra quando fala da família, traz um amarelo no sorriso quando se refere a própria felicidade.
A felicidade ou a infelicidade de um indivíduo não está relacionada com condição social de onde vem, ou da escolha adequada para se ser bem sucedido, mas reside na plena realização do que se quer realmente fazer, naquilo que devota-se amor, não importando nenhum pouco se conseguirá sucesso, desde que faça com que o seu "eu" esteja satisfeito.
Os formadores de esteriótipos, no intuito de explicar a infelicidade dos nossos personagens descritos, provavelmente postularão que o homem maduro é infeliz pois esconde um perfil de pedofilia, ou de homossexualidade não assumida. Que a nossa jovem, vive a expectativa de um casamento arranjado ou que a profissão esposada lhe tenha sido imposta. E que o nosso rapaz interiorano na verdade gostaria de ser cantor sertanejo ou advogado, transmutando das belas pinturas dos quadros anteriores para o escárnio caricato, a imagologia é criativa e atualizável. Acertam no que diz respeito a supressão do livre arbítrio, no entanto o homem maduro desde jovem sempre sonhou em viajar pelo mundo, como um brilhante pianista. A jovem desejava ser artista plástica e viver sua vida inteira ao lado de sua amiga de infância, por quem tinha profundo afeto. E por fim nosso rapaz do interior nutre ainda o desejo incontido de ser ator. Isso é o que trazem no imo do ser, profundo, intangível. O paradoxo entre viver ou sobreviver.
Sustentar a imagologia, é comprometer a própria felicidade. Tal como as moedas trazem oculto o seu real valor quando forjadas, e que portanto são retiradas de circulação e esquecidas, logo que o seu custo para se manter em voga se torne superior ao seu valor de mercado.
Assim como a moeda não sobrevive a inflação, uma imagem idealizada não resiste aos caprichos do tempo. Somente as realizações, fruto da projeção da personalidade humana, resistirão as intempéries do tempo e farão companhia as esquecidas moedas na história e nos museus, alcançando a almejada notoriedade e sua consequente imortalidade.
Quanto aos imagólogos, que escrevem a história a sua vontade, esquecem que o tempo aliado das grandes obras, retifica tudo e sempre traz a verdade a lume.
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