Uma informação relevante ao homem, é clara, objetiva, isenta de paixões e interesses que lhe corrompam o propósito. Esses são os princípios norteadores de uma imprensa livre e desinteressada.
Olhando por esse lado, a sociedade se pergunta hoje, que papel deveria desempenhar a imprensa no mundo moderno? A imprensa hoje tão envolvida com as questões políticas e sociais, movida por interesses partidários, que influenciam as sociedades com os pontos de vista pessoais de seus colunistas, deixando de ser apenas veículo, para exercer papel de condutora de dissenções sociais e políticas, papel aliás bem diverso de quando deixava ao cargo do livre arbítrio dos seus leitores, promoverem as ações pertinentes aos acontecimentos de maior vulto.
Pra quem discorda desse argumento, e acredita que essa imprensa nunca existiu, talvez não se recorde que escribas e copistas, sempre existiram em todas as épocas da humanidade desde que surgiu a escrita, e que portanto na sua crescente evolutiva, desempenharam papel de destaque nas comunidades, não só registrando a história, mas trazendo a tona a voz surda dos oprimidos e tentando abrir os olhos e ouvidos dos indiferentes. A máquina de Gutenberg, veio apenas tornar mais rápida a disseminação de pensamentos, acontecimentos sociais e científicos, mas deixando que o homem se posicionasse sempre em relação a questão exposta. A renascença e as reformas que o digam primeiramente, não fosse assim as 95 teses de Lutero, teriam morrido ainda nascituras.
Esse comportamento condutor na modernidade, segundo "Kundera", fez com que a imprensa sancionasse um "décimo primeiro mandamento", que "é o direito de exigir do interlocutor a verdade dos fatos", independente de sua vontade, suplantando por completo o seu livre arbítrio e seus direitos inalienáveis. Isso explica a multiplicidade de profissionais de todas as matizes, que hoje encontram-se alojados confortavelmente no seio da mídia, já que encontram campo nos interesses sociais mais diversos, transformando a imprensa de hoje em veículo da bisbilhotice social.
Inicialmente a imprensa marrom, era rechaçada pela imprensa dita "verdadeira", mas depois que os homens, principalmente os políticos, observaram os efeitos devastadores causados pela calúnia, abriu-se campo aos tabloides sensacionalistas, e hoje vejo uma imprensa recheada de cores e objetivos. Se a marrom calunia e difama, a rosa exalta e afama, e essas duas são ligadas diretamente a imagologia, já que uma denigre e depõe enquanto a outra enaltece e cultua o ícone social.
As imprensas azul, silver (prata) e golden (dourada) se confundem, já que querem passar ao leitor a ideia de um mundo feliz e harmonioso, se a primeira é comprometida por ideologia política, a segunda é aquela que se vende aos interesses políticos sem qualquer ideologia, enquanto a última quer apenas vender a imagem de mundo perfeito, mostrando ao público a opulência e a ostentação em que vive uma parcela bem pequena da sociedade, como se isso fosse o padrão, ignorando as dificuldades e os problemas infinitos da grande maioria, vivendo o verdadeiro mundo do faz de contas.
A vermelha apesar de estar bem próxima da realidade, no entanto afasta-se dos objetivos, porque tem no exagero a forma de comoção social; violências, revoltas, injustiças de um mundo que beira o caos e a anarquia, nada está bom, o mundo está eclodindo; não podemos ler suas páginas sem sair manchados de sangue ou mesmo em estado de puro desespero.
E por fim a imprensa branca, que tenta minimizar os efeitos nocivos que as outras cores, principalmente a vermelha causam nos seres, querendo apascentá-los, confortá-los e acenando com mensagens de paz, entendimento e paciência em um mundo de crescente horror e distonias sociais, com as promessas de um futuro venturoso para humanidade. Seu conteúdo político e social é brando, com a vertente do olhar sempre otimista.
E o repórter é mais um profissional dos inúmeros já conhecidos, que surgiu antes mesmo que o seu ofício adquirisse nome, e que portanto antes do modelo de prensa mecânica de Gutenberg no século XV, quantos não exerceram o ofício de repórteres na história? Como não lembrar dos primeiros registros de civilização rudimentares nas paredes de cavernas, trazendo seus costumes e culturas? Como esquecer os profetas que diziam-se portadores de revelações divinas? e do próprio Cristo, "...Eu vim da parte do Senhor...para anunciar a boa-nova aos pobres..." e depois "...ide e espalhai pelo mundo a boa nova...". E os navegadores e desbravadores? Todos fiéis seguidores e portadores dos princípios que norteiam a verdadeira imprensa.
E se toda informação é um direito, já que está ligada diretamente ao exercício do livre arbítrio de cada ser, e se a imprensa deve ser o seu fiel veículo, afim de que chegue ao homem isenta de qualquer ideia preconcebida, é também dever de todo o receptor compreende-la antes de quaisquer deliberações. Sendo assim, se a boa nova não foi compreendida; a história fora ignorada e os conteúdos atuais quando não são fúteis ou inverídicos e preconceituosos, causando mais digressão do que coesão nas sociedades, é porquê talvez ainda não saibamos usufruir da liberdade conquistada e tão pouco exercer nosso livre arbítrio, porquê as nações desde que conheceram as guerras, não as cessaram jamais. Hoje além dos conflitos religiosos, étnicos e ideológicos, vivemos também violento conflito moral, e a imprensa que tem hoje como máxima que "...em uma guerra, a primeira vítima é a verdade....", muito longe se encontra dos princípios que um dia nortearam o seu propósito.
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