É possível ser feliz neste mundo? Pergunta essa difícil de responder. Terreno espinhoso do psique humano. Sim, porque este sentimento está ligado diretamente a satisfação íntima e a paz interior que experimentamos momentaneamente, quando alcançamos nossas expectativas. Há quem diga, que nesse mundo só é tangível a felicidade relativa e que esta reside na prática do bem e no amor ao próximo. Noutra corrente há quem diga, que as conquistas pessoais são provas incontestes de felicidade e muitos são os que partilham da opinião que jamais a conhecerão nessa vida, pois aqui vieram pra sofrer, e somente conhecem a infelicidade.
Como contestar a alegria de um cão diante de uma tigela cheia ou de quando ligado ao dono, através da corrente que o encarcera, durante o passeio diário? Consegues duvidar do brilho quase fosco nos olhos de um lavrador, que observa o cair da chuva sobre seu campo? Contestarás a felicidade de pais diante dos primeiros passos e palavras dos seus rebentos? E o que dizer do brilho vivo na troca de olhares entre nubentes no altar?
Mas, porque a felicidade momentânea do outro nos fere tanto? Teria eu nascido destinado a felicidade e o outro ao eterno sofrimento? O homem, diferente das demais espécies da criação, ainda não desenvolveu a capacidade de dividir, preso ao egoísmo, transforma derrotas temporárias em duradouras penas ao seu espírito, e vê na destruição da felicidade alheia o lenitivo para suas dores. Mas a inveja é úlcera deveras corrosiva, que exige cada vez mais, doses maiores desse equivocado analgésico para a dor de uma alma atormentada.
A minha idéia tem mais fundamento que a sua, pois eu sou mais capacitado pelo que estudei, pelo que vivi, pelo que sofri. A ideologia que sigo é mais apoiada na razão do que a que você defende. A religião que professo é imiscuída e apoiada na mais pura verdade. O time para qual torço tem mais camisa, tradição e já conquistou muito mais títulos que o seu. Somos assim, nos enquadramos nos sistemas de nosso interesse ou criamos um, que nos atenda, movidos sempre por nossas mesquinhas paixões.
Nações oprimem nações, Estados oprimem seu povo, o povo em sua maioria oprimem as minorias, homens oprimem mulheres, e ambos oprimem seus filhos, que por conseguinte quando não oprimem seus pequenos amigos de estimação, oprimem seus pares nos educandários, demonstrando o que o mau exemplo pode despertar nas pequenas criaturas, que pelo empirismo das relações faz prevalecer os mais fortes, para que se coloquem sempre no topo da cadeia alimentar de suas convicções, fazendo inclusive o uso da força bruta que nos assemelha aos irracionais. O oprimido de hoje será o opressor de amanhã, caso não consiga se elevar para construir novos paradigmas morais.
Mas aquela tal felicidade, é incompatível com a irracionalidade, e com a brutalidade das paixões desordenadas, que embotam os reais valores, que pode e deve nos diferenciar e afastar cada dia mais dos brutos de outrora, estabelecendo a harmonia entre as diferenças, a responsabilidade nas divergências, e fazendo entender que todo o dia é dia de lutar, que vitórias e derrotas, são igualmente aprendizados e prêmios pelo esforço, são a ceifa e não o plantio.
A certeza é que no dia seguinte o sol brilhará, dia mais breve a chuva virá, já que o solo que vive pronto a esperar, que mãos operosas espalhem as sementes, porque somente assim a felicidade permanente reinará. A felicidade é possível, mais amor e menos paixão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário