Quem já se deparou com estas três palavras, e se sabe que as mesmas formam um lema, uma meta. É porque já esteve diante da mais eminente e mais famosa obra de Aldus Huxley. Mais do que um simples lema, tais palavras representavam no seu sentido mais amplo, o futuro da humanidade, formando uma sociedade alienada, condicionada desde sua fase embrionária, governada por seres sem moral e sem sentimento, que por trás de sua bondade aparente, dissimulavam ambição e desejo de poder. Sempre o mesmo, no discurso do tudo pela felicidade, pela harmonia e pela paz, puro eufemismo encobrindo o orgulho, o egoísmo e a vaidade.
Na referida obra de Huxley, classificada como ficção científica, onde o autor nos dá o seu ponto de vista para o futuro em que convergia a humanidade, porque já a observava adoentada, perdida em discussões filosóficas e científicas estéreis, utiliza o avanço da ciência, em particular a medicina no que diz respeito a genética, aliada a teoria administrativa de Ford, para impregnar sua história e formar uma sociedade feliz e promissora, claro que, aos olhos da ciência materialista e de um mundo envenenado pelos regimes totalitários, que se sucediam em várias partes do planeta.
Nesse mundo perfeito, onde não havia mais espaço para a filosofia, ciência, religião, liberdade de expressão e pensamento, em que toda a sabedoria, a história e Deus perderam espaço nas consciências. Mundo esse, em que a imortalidade da alma fora esquecida e substituída pela promessa da longevidade juvenil, onde a fuga da realidade era constante e qualquer indício de sentimento e paixão eram imediatamente substituídos por alucinógenos potentes.
E tudo isso só era possível, graças ao virtuosismo da revolucionária ciência genética, que não só produzia os seres em castas socialmente condicionadas desde a sua fase embrionária, mas atuava de forma condicionante no indivíduo também na sua tenra idade, utilizando técnicas hipnopédicas alienantes, praticando a mais pura lavagem cerebral, inserindo mensagens cheias de moral distorcida, dogmatizada por aforismos vazios.
O resultado, uma sociedade pacífica, incapaz de questionar, feliz de uma felicidade vazia, sem noção, sem contexto, sem sentimento. Uma sociedade onde formar família era uma imoralidade, onde não existiam pais, já que todos eram resultados de fecundação in vitro, não haviam relações afetivas, já que todos pertenciam a todos, numa ética e moral distorcidas, não existia ciúmes e nem traições, nem crimes, nem cobiças.
Orgulhavam-se disso, pois foram condicionados a subtrair a realidade com cápsulas de entorpecentes para viver no mais perfeito dos mundos onde as relações de afeto eram puro retrocesso e as drogas eram as libertárias do espírito, tudo em busca de uma pseudo liberdade. Acontece que nessa liberdade vigiada, mal conseguiam perceber o cárcere, já que viviam acorrentados a uma ortodoxia, travestida de prosperidade, pois o mal que dormitava em cada ser, era dispersado ora pelo torpor, ora por gritos de ordem que ecoavam em mentes vazias, doutrinadas a fugir do auto domínio, buscando sempre outra realidade aceitável, dentro de padrões ético e moral fugazes.
É estranho observar esta obra, grafada como ficção científica pura, e que portanto o era de fato, já que fora compilada em 1931, antes mesmo até da segunda guerra mundial. Mas o mais estranho, é que essa ficção exposta, olhando bem, está muito próxima da nossa atualidade. Louco? Visionário? Como pôde com seu pouquíssimo tempo, que andou sobre a terra, ter visto pra onde a civilização se encaminhava a passos largos? Simples explicar, porque apesar de novos fatos, tecnologias, novas formas e técnicas de dissimulação, aquele “Homem Velho” e imortal ainda reside em nós. Todo instrumento de fuga, é apenas retardatário, e não há fórmulas mágicas, não há milagres, aliás permita-me, existe sim o milagre, mas em cada nova existência reparadora, há o milagre da reforma, isso mesmo, nada como encarar os “Bons e Velhos Problemas de Sempre”.
Vemos
hoje, crianças consumirem e serem consumidas pelo alcool e pelas drogas, cada
vez mais pesadas, cada vez mais cedo com a participação direta ou indireta dos
governos, seja pela política de descriminalização, seja pela falha na batalha
contra o narcotráfico, já que a falta de empenho, com leis brandas e a
corrupção se tornam verdadeiros "fogo amigo" contra aqueles que estão
na linha de frente do combate e que representam o interesse da sociedade nessa
guerra. Vemos as crianças, serem condicionadas, com apologias ao sexo e a
violência, desde cedo, sem mesmo até terem consciência do que significam, seja
através de desenhos, músicas, filmes, novelas e até mesmo no convívio doméstico
e institucional, já que tanto no lar, com as desestruturas familiares, onde a
moral, a ética e os bons exemplos passam longe, quanto nas escolas que sempre
foram a extensão do lar, têm reforçado esse condicionamento doentio, tanto no
convívio com seus pares, quanto com aqueles que deveriam corrigi-los e
prepará-los para a vida.
A
humanidade também foge, se escondendo atrás de ortodoxias religiosas, alguns
chegam a criticar as escrituras, que foram compiladas desde o século III até o
século XVI da nossa era, depois de tantas correções, exclusões, revisões e
inserções o seu cunho moral ainda está intacto, e que o homem continua errando
séculos após séculos, ao insistir na sua interpretação pela forma literal,
distorcendo tudo ao seu gosto e adaptando à sua visão obtusa, chegando ao
extremismo, a perseguição e ao ódio.
Não
podemos culpar somente a modernidade pelo estrago, mas também o descaso de uma
sociedade que se acomodou no conforto, na falta de tempo. Também não podemos e
nem devemos atirar pedras nos pais, que vivem uma vida paradoxal, entre o
sustento e a dedicação aos filhos.
Aí você concluirá que a culpa deve recair sobre os governantes, sobre a situação do
mundo e sua administração moderna e seus fatores condicionantes, erro! Erro
porque na verdade, o erro está em nós, pois podemos ter sim o conforto, as
tecnologias, a fertilização in vitro, mas que seja para àqueles que não podem
conceber pelas vias normais, e que essas técnicas não devem ser substituídas
nunca, pela preguiça e falta de coragem de criar filhos imperfeitos, não
devemos prescindir o esforço próprio e querer criar seres perfeitos, nos
poupando o trabalho.
Isso mesmo! A culpa é
nossa, nós nos acondicionamos, nos rendemos à preguiça e a covardia. Tudo isso
tem um preço, falta muito pouco para chegarmos no estágio do “Admirável Mundo
Novo" de Huxley. Usemos a nossa liberdade de consciência para dar um basta
neste “avanço”, quando não estamos andando de lado, estamos caminhando de
costas, para frente, mas de costas, mais sujeitos a tropeços, do que se tivéssemos
virados de frente, onde poderíamos antever obstáculos e passar por eles com
desenvoltura e desembaraço, no mais, seguimos como diz Zé Ramalho, em sua
música "Admirável Gado Novo", Ehhhhh eohhhhhh vida de gado, povo
marcado ehhh, povo feliz.
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