segunda-feira, 13 de abril de 2015

Reformar é preciso, resistir, um tanto quanto.



Muito ouvimos na evocação das massas, o direito inequívoco à manifestação. Direito esse lícito, intrínseco, no entanto limitado em se constitucionalmente falando, já que o limite da liberdade de cada um, reside exatamente na região limítrofe do interesse comum.

No momento de exacerbação, momento este em que "nos deixamos" levar por situações alheias a nossa vontade, e que portanto nos fogem do controle a razão, ferimos moral e mortalmente o pretenso bem comum. E é então que percebemos o quão limitado é o nosso sentido de justiça, contraposto ao sentimento que nos move para ele de forma colossal, num movimento que beira a irracionalidade.

Constantemente nos pegamos estarrecidos e absortos em divagações, quando ouvimos certas melodias que ao tempo que nos fincam os objetivos, tornam libertários os ideais, e assim "caminhando e cantando, seguindo a canção", para descobrir enfim, "que país é este", e tentar se desvincular da imagem de massa de manobra, pois freneticamente o "povo foge da Ignorância, apesar de viver tão perto dela". Tanto é que ainda se deixa manobrar por pessoas sem moral e de voz rouquenha, que pregam preconceitos e divisão de classe social em pleno século XXI, justamente à uma Nação que foi construída com o DNA miscigenado de quase todas as nações, o que portanto, não encontra qualquer fundamento. E se todo esse preconceito e essas diferenças sociais gritantes ainda existem, que recaia a culpa sobre a nossa classe política principalmente, mas saibamos também e reconheçamos a parte que nos cabe neste latifúndio.

Assim como os tratores avançam sobre as matas, destruindo e degradando de forma brutal uma indefesa natureza, ultrapassamos constantemente, as vezes sem perceber, o cercado que nos limita sobre o direito alheio, tão consagrado na Magna Carta, e que portanto carregamos sob as axilas, afim de nos protegermos dos grileiros do direito. E esse comportamento, não está restrito somente aos imorais contumazes, pois nós, os ditos ilibados, nos escoramos nas máximas populistas para transgredir as mesmas Leis que invocamos contra o outro, na defesa mesquinha de nossos interesses pessoais. Esse comportamento não é inerente a nenhuma classe social exclusivamente, pertence ao ser, que independente de ser abastado ou não, de possuir ou não o intelecto desenvolvido, reverbera a ignorância latente do seu personalismo, carregado de egoísmo, vaidade e orgulho.

Chega ser engraçado, para não dizer paradoxal, ver o cidadão do alto de sua revolta, repetir os versos de uma música e ser acompanhado por uma multidão aos gritos durante a madrugada em um bar, que nos diz: "Ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. Que país é este? Que país é este?" Aí eu pergunto: Como? Se nem a voz que se levanta, "em nome da ordem" respeita a constituição, ferindo o sagrado direito daqueles que cedo madrugam, que portanto necessitam do merecido repouso, e que vêem a sagrada Lei do silêncio ser transgredida por uma turba enfurecida e bulhenta.

Ver cidadãos se contrapor de forma violenta contra uma manifestação pacífica, a ponto de agredi-los, usando palavras de ordem que mais se assemelham a uma marcha nazi-fascista, dizendo defender os interesses democráticos da nação. Como? Onde reside a democracia, quando você tenta calar a voz alheia ou mesmo abafa-la, a pretexto de proclamar seus interesses pessoais ou mesmo da instituição que representa? Será que vale tudo a ponto de se defender um ideal? Vale mentir? Vale ofender? Injustiçar? Condenar? Matar? Quando nos apoiamos na máxima: "Os fins justificam os meios", abrimos o caminho para a injustiça e iniquidade, pois neste momento a corrupção e a violência se aconchegarão no seio da sociedade.

Em uma Nação sem moral, dita democrática, onde as práticas de corrupção são rotineiras, vive-se na verdade a Ditadura da "Demagocracia" ou Ditadura da maioria. Pois o nefasto jogo do poder político, apoia-se no populismo, e na satisfação das pequenas necessidades. A maioria do povo mantido numa espécie de cabresto cultural, acaba por perpetuar demagogos pseudo idealistas, que alimentam constantemente as mentes, tais como vasos de barro sempre vazios, com suas flores retóricas. E quanto àqueles que se encontram alijados no lado oprimido da Demagocracia, podem assim sintetizar o seu sentimento: "O meu partido é um coração partido, minhas ilusões estão todas perdidas, os meus sonhos, foram todos vendidos, tão barato que eu nem acredito, eu nem acredito, que aquele garoto que ia mudar o mundo, assiste agora a tudo em cima do muro, meus heróis morreram de overdose e os meus inimigos, estão no poder. Ideologia, eu quero uma pra viver".

Deixemos pois, de hipocrisia, todos sabemos que a doença que assola a humanidade, e que a mantém retida no estacionário moral, é a corrupção. Que há muito deixou de ser puramente infecciosa, e que já passou da fase de pandemia, e hoje já se tornou uma anomalia genética, aliás digo, o cromossomo defeituoso está naquele que não apresenta traços de corrupção. E a recessividade desse indivíduo, lhe trará grandes dissabores, já que será discriminado pela grande contingência dos ditos normais, que trazem incrustados no seu genoma o alelo da corrupção, perpetuando a injustiça, o caos social e o consequente atropelamento do direito comum.

Para romper essa desestrutura milenar, incorporada ao ser da humanidade, precisamos combate-la já a partir dos nascituros, pois tão logo tomem de assalto ou pela força o brinquedo alheio, que sejam duramente repreendidos, no entanto com a total ausência da violência, pois somente o amor é capaz de educar o indivíduo profundamente, realizando incisões cirúrgicas no caráter sem deixar quaisquer cicatrizes na alma. Os valores distorcidos e retorcidos nas máximas populares, como "Quem não cola não sai da escola", "Honestidade não enche bolso nem barriga", "Se a farinha é pouca, o meu pirão primeiro", "É melhor um pássaro na mão do que dois voando", devem ser extirpadas e completamente esquecidas. A lei da vantagem e do jeitinho, que na verdade mascaram a corrupção utilizando-se do mais puro eufemismo, devem ficar arquivadas apenas como más referências bibliográficas na história da humanidade. E essa cultura de trocar voto por pequenas vantagens, reside no passado delituoso das crianças, que tiveram afagos contemporizadores ao invés das merecidas reprimendas, afim de conter as suas traquinagens e seus "maus feitos". "Quem me dera ao menos uma vez, que o mais simples fosse visto como o mais importante, acreditar que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são felizes. Mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente".

E a questão que reboa neste momento é: estará você disposto a abrir mão dos seus interesses pessoais em prol de algo maior? Poderá deixar a sua zona de conforto para lutar com convicção pela causa alheia? Estará apto a defender a reforma agrária mesmo sendo grande latifundiário? É capaz de dar mais do que receber? Seja coerente com as suas cobranças ao outro, pois toda mudança acontece de dentro para fora.

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