sexta-feira, 1 de maio de 2015

A Religião e os religiosos


Deus no seu infinito Poder Criativo e Criador, deu origem ao universo e aos seres, no entanto, jamais criou ou fez alusão de criar religiões. Obra pura da necessidade humana, que no princípio, demonstra merecido reconhecimento a uma Inteligência Superior, que ao contemplar o infinito do espaço, ou mesmo sentindo os arroubos da natureza, percebe que sua humílima existência, é mero joguete das forças muito superiores a sua compreensão e aceitação. 

Em dado momento histórico, essa criatividade transforma-se no que antes era a ponte que ligava o homem ao Ser Supremo, em objeto de suas vaidade, orgulho e egoísmo, passando a exercer um papel separatista e imiscuído de falsas ideologias, onde todo dissidente que não dobra a cerviz diante da maioria reinante e opressora, é anatematizado, perseguido e extirpado do convívio com as nações ditas não pagãs, e assim permanece até os dias atuais. É claro que na atualidade, os concílios de antes deixaram de ser tribunais inquisidores, e tornaram-se meras tribunas destinadas as conversações teológicas, e se as fogueiras e a excomunhão foram substituídas pelas execrações públicas nos palanques, preconceitos e indiferença, é porque as distensões ganharam novas formas aquilatadas pela moderna sociedade, e hoje o dito paganismo tornou-se o que nomeamos como "distorção da verdade".

Os grandes líderes do povo escolhido por Deus, por não compreenderem a Missão de Moisés, portador da Primeira Grande Revelação, perderam-se no orgulho, ganância e vaidade, e tentaram contaminar todas as nações mostrando o fruto de sua completa ignorância, aliando-se ao poder de Roma, para desdenhar e desmerecer o Novo Missionário Divino, portador da Segunda Grande Revelação, nação esta que lhes oprimia e de quem desejavam a todo custo se libertar, onde predominavam a força bruta e a soberba, apesar do seus altos níveis cultural e político. Mas como seu propósito era elevado, O Cristo não só nos reconecta à Divindade, como nos traz também uma nova mensagem cheia de amor, paz, renovação e esperança.  E já no que antecede ao seu derradeiro momento, revela-nos sua breve partida e nos consola com a esperança de que jamais nos deixaria órfãos, e que sua obra teria continuidade adiante e encerra sua passagem deixando-nos a promessa de futura consolação.

A tão esperada e incompreendida revolução proposta por Jesus,  que libertaria o homem do seu cárcere, não se faria através da espada, tão pouco da ignomínia da guerra, e sim pelo o amor, a paciência e a paz que são libertários inclusive do espírito. E séculos mais tarde, Gandhi aplica tais preceitos do Cristo libertando seu povo da escravidão, tanto física, quanto moral. E apesar da diferença entre os dois mensageiros ser gritante e quase infinita, mais pela grandeza do primeiro do que pela pequenez do segundo, foram os seus interlocutores que fizeram a diferença possibilitando ou não o êxito, já que os primeiros julgavam-se possuidores da verdade, enquanto que os segundos foram fiéis portadores da fé.


E assim é a humanidade,  assim são os religiosos de todos os credos e de todos os tempos, principalmente os da atualidade, pois ainda contaminados pelo orgulho, digladiam-se, anatematizam-se pretextando serem os portadores da verdade, esquecendo que a religião que os conecta a Suprema Verdade, que é Deus, nos recomenda a sua eterna busca, pois somente assim se libertarão.


E afinal o que é a verdade? Se nem o Cristo que possui grande autoridade outorgada pelo Pai Supremo, e que assim proclamou-se ser o Caminho, a Verdade e a Vida, ousou tentar dimensiona-la e retirar o véu sobre a nossa ignorância de limitadas faculdades e preferiu calar-se, a tentar esclarecer Pilatos. Se nem a Suprema personificação do Bem ousou faze-lo. Quem somos nós afinal?


A verdade sobre a verdade, é que quanto mais nos aproximamos dela, mais consciência temos que muito distantes ainda nos encontramos, e que portanto ao passo que a religião nos conecta a Suprema inteligência do Criador, em contrapartida os infiéis religiosos de todos os tempos e templos são os responsáveis pela ruptura do elo entre Deus e as criaturas. 

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