sexta-feira, 8 de maio de 2015

A existência e as dualidades


O Bem é obra da perfeição de Deus, criou o Mal o homem quando optou por não praticá-lo ou simplesmente negá-lo.

A partir daí inicia uma luta quase inglória contra o seu personalismo, que na mais das vezes pende a balança para o lado sombrio do seu psique, toda a vez que se deixa arrastar pelas suas fraquezas morais, e que portanto contrapesa nos momentos de extrema aflição e desespero para um comportamento mais pacato e condizente com o propósito divino, demonstrando gestos e atitudes, as vezes sublimes, diferindo por completo de sua personalidade habitual. 

A medida que esse estado de aflição se acomoda ou mesmo dissipa, aquele "Homem Velho" ressurge com toda a sua vitalidade, retomando tudo do ponto de antes, acomodando-se no seu comportamento transgressor e ingrato, assim permanecendo nesse dualismo até que desperte ou não para a sua essência existencial, pois torna-se cada vez mais claro que, quando sua consciência não o conduz pelos caminhos do Amor, é pela força das coisas que desperta vez ou outra através do sofrimento.

Desde que começou a caminhar sobre a terra, o homem ainda não alcançou o sentido da beleza, pois ainda encarcerado à ilusão dos sentidos exteriores se permite capturar pelo esteriótipo, idealizado pelos padrões de beleza temporais das sociedades, que quase sempre mascaram a egolatria e a perfídia. Na dualidade beleza e fealdade, que não apenas se contrapõe mas se interpolam, coexistem como siamesas de costas uma para outra e que quase sempre quando penetramos uma à fundo a ponto de traspassa-la, nos deparamos inexplicavelmente com a outra.

Mas nem sempre a beleza é uma maldição, algumas criaturas dotadas de semblante angelical, possuem no íntimo, incognoscível formosura capaz de suplantar qualquer forma exterior, e é possível encontrarmos essa lindeza também em criaturas de afeadas fácies, que se torna imperceptível aos sentidos materiais de uma sociedade imiscuída de padrões preconcebidos de beleza, mas que apenas nos fere os sentidos, sem nos tocar a fundo. Quantos seres pela sua nobreza e bonomia se assemelham a figura literata e quase mitológica de "Quasímodo"? Essa figura emblemática e desfigurada que encantou a cobiçada "Esmeralda", portadora de rara beleza, que desprovida do preconceito que enceguece, enxergou a verdadeira beleza que nossos olhos materiais são incapazes de ver. Portanto não há regras, porque nem sempre o feio tem seu lado belo, tal como a beleza física ao contrário do que muitos professam, não é fundamental. É mister ser amorável, ter retidão de caráter e acima de tudo ser humilde.


Ah! O Homem e suas contrariedades existenciais, mesmo os que encontram-se afastados do "Bom" caminho, perquirem-se constantemente, e nesse torvelinho de pensamentos que o impulsiona na desenfreada busca das verdades da vida, apesar de estar frequentemente equivocado e apregoado ao mal proceder, pois resiste aos caracteres do homem de bem, transforma-o através do método experimental, da tentativa e erro, num ser melhorado a passos de cágado. Na busca da verdade, paradoxalmente utiliza-se da mentira, no culto à beleza enfeia-se no exagero e no preconceito, afasta-se frequentemente do bem pelo egoísmo do conforto material que o mal proporciona. Na tentativa de ludibriar não só o outro, mas a si mesmo, no imo do ser, sente reboar: Como podes querer descobrir e portar a verdade, entender o belo e praticar o bem que professas, se ainda não conheces a ti mesmo, e se ainda encontra-te atado a mentira, a vaidade e ao egoísmo. Liberta-te das paixões más, e segue amando.

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